Mundo ficciónIniciar sesiónQuando a noite cai, segredos despertam. Eliot Lessan é um homem admirado, poderoso e aparentemente intocável. Vive entre eventos sofisticados, decisões importantes e a responsabilidade de proteger quem ama. Mas por trás da imagem impecável, existe algo que ele nunca conta, um passado que não ficou para trás e forças que não obedecem às regras humanas. Enquanto a cidade começa a ser tomada por rumores de desaparecimentos estranhos e crimes sem explicação, Eliot se vê obrigado a encarar verdades que sempre manteve ocultas. O perigo se aproxima, silencioso, observando no escuro… esperando o momento certo. Isabella Vermont surge em sua vida de forma inesperada. Reservada, inteligente e carregando seus próprios segredos, ela aceita um trabalho que parecia simples demais para ser real. O que ela não imaginava é que aquela casa guarda mais do que luxo, guarda sombras, pactos e escolhas que cobram um preço alto. Entre olhares desconfiados, conexões intensas e uma ameaça que cresce a cada noite, deixe-se conduzir por um jogo perigoso entre o visível e o oculto, onde nem todos são quem parecem ser… e nem todo monstro vive nas sombras. Porque algumas histórias começam quando o sol se põe. E terminam com o coração em risco.
Leer másEliot Lessan ajustou os punhos da camisa sob o elegante Armani branco antes de sair de seu apartamento. O tecido leve e sofisticado parecia uma segunda pele, capturando os reflexos suaves das luzes da cidade que se infiltravam pelas amplas janelas de vidro, onde a noite de Curitiba já se instalava como um manto escuro e pulsante. As ruas lá embaixo, no bairro do Batel, o mais caro e vibrante da capital paranaense, fervilhavam com o burburinho noturno: faróis de carros cortando a escuridão úmida, o som distante de risadas em bares chiques e o aroma sutil de chuva recente misturado ao perfume de pinheiros urbanos. O ar carregava uma umidade fresca, típica das noites curitibanas de primavera, com uma brisa leve que sussurrava promessas de tempestades inesperadas, fazendo Eliot sentir uma mistura intensa de nostalgia e determinação, como se cada respiração o reconectasse à sua Ucrânia distante, onde noites assim podiam significar abrigo ou perigo.
O evento daquela noite era especial, uma arrecadação de fundos para refugiados de guerra na Ucrânia, sua terra natal, e isso mexia profundamente com ele, despertando um turbilhão de emoções: orgulho por ajudar, mas também uma dor crua, acentuada pela memória de perdas pessoais que ainda latejavam como feridas não cicatrizadas. No elevador particular que o conduzia ao térreo do Batel, seu mordomo, assessor e conselheiro, Uriel, já o aguardava. O homem de postura impecável observou Eliot com um olhar crítico, carregado de uma lealdade feroz que beirava o paternalismo, como se cada detalhe do patrão fosse uma extensão de sua própria honra. Uriel sentia uma frustração sutil, misturada a um afeto profundo, ao ver Eliot renegar partes de si mesmo, uma luta interna que o fazia questionar sua própria identidade enraizada no passado. - Esse Armani branco lhe caiu muito bem, Lorde Lessan. Harmoniza com sua pele e cabelos. Eliot sorriu, sempre cortês, mas respondeu com firmeza, sentindo uma pontada de irritação temperada por gratidão. Ele valorizava Uriel como um irmão, mas o título o fazia se sentir exposto, vulnerável, como se carregasse o peso de séculos em seus ombros modernos. - Não me chame assim, Uriel. Não quero parecer superior às pessoas. “Senhor” é mais apropriado para os tempos em que vivemos. Uriel entortou a boca, apertando o botão do elevador para o subsolo, uma onda de resignação o invadiu, misturada a um orgulho teimoso, ele via em Eliot não apenas um chefe, mas um legado vivo, e cada recusa do título doía como uma rejeição pessoal, transformando sua lealdade em algo quase doloroso. - É um título herdado de sua família. Não deveria se sentir mal em usá-lo. Eliot suspirou, encerrando o assunto com um tom definitivo, sentindo uma fadiga emocional profunda, como se cada menção ao passado reabrisse cicatrizes antigas, mas também a forte resolução, ancorada na empatia por um mundo que ele queria mudar. - Já faz muito tempo, Uriel. Foi em outra época. Como já lhe disse, esse título não cabe neste século. Portanto, limite-se a “senhor”. Uriel assentiu, respeitoso, e quando as portas do elevador se abriram, deu passagem para Eliot antes de segui-lo, um sedan de luxo os aguardava com os faróis acesos, iluminando discretamente o estacionamento subterrâneo, onde sombras dançavam nas paredes de concreto, ecoando a solitude noturna de Curitiba. O motorista, Marcel, já estava a postos. Assim que Eliot se aproximou, ele abriu a porta com um gesto preciso e o cumprimentou, sentindo uma admiração genuína e uma pitada de inveja saudável, Marcel via em Eliot um homem acessível, e isso o enchia de uma alegria simples, marcada pela aspiração de crescer. - Boa noite, senhor Lessan. Aconselho a colocar os óculos escuros. A previsão do tempo indica uma lua clara, mas o brilho das luzes da cidade pode ofuscar. Eliot sorriu, pegou os óculos e os colocou antes de entrar no carro, cujos vidros escurecidos garantiam privacidade. O interior era climatizado, e o ar fresco contrastava com o calor abafado do lado de fora, onde a noite curitibana pulsava com vida: neon de prédios altos piscando como estrelas artificiais, pedestres apressados sob postes de luz amarelada, e o som abafado de música distante de um clube próximo. Assim que Uriel se acomodou ao seu lado, Marcel fechou a porta e assumiu sua posição ao volante, dando partida no veículo, sentindo uma excitação sutil pelo papel que desempenhava, como um guardião leal em uma jornada noturna. Enquanto cruzavam as ruas movimentadas de Curitiba em direção ao Centro de Eventos FIEP, sob o céu estrelado salpicado de nuvens esparsas e o brilho difuso das luzes urbanas que pintavam a cidade em tons de âmbar e índigo, Eliot lançou um olhar divertido para Uriel, sentindo uma camaradagem afetuosa que aliviava o peso de suas responsabilidades. - Devia seguir o exemplo de Marcel. Ele nunca me chama de “Lorde”, nem fica relembrando meu passado. Me trata como se eu sempre pertencesse a este século. Uriel sorriu ironicamente, cruzando os braços, uma faísca de ciúme o atravessava, temperada por um humor genuíno, ele sabia que Marcel era ambicioso, mas isso só intensificava sua própria dedicação, como uma rivalidade fraterna. - Esse motorista safado só te trata assim porque está de olho no meu posto... Pensa que não sei disso. - Disse ele o encarando com um sorriso de lado. Os três riram, e a atmosfera no carro se tornou mais leve, um momento de conexão humana que dissipava tensões, enchendo o espaço com uma alegria coletiva e efêmera. O som discreto do motor e o movimento suave do veículo pelas avenidas bem planejadas da cidade criavam um cenário quase cinematográfico, com as luzes noturnas de Curitiba dançando nas janelas como reflexos de sonhos. Marcel, sempre atento, lançou um comentário descontraído, sentindo uma satisfação profunda em pertencer àquele círculo, ligados pela lealdade que o motivava. - Não se preocupe, Uriel. Eu aprecio ser o piloto de fuga do senhor Lessan. Eliot sorriu, observando a paisagem urbana através do vidro escurecido, uma onda de expectativa e melancolia o invadia, a noite prometia ser longa, mas ele estava pronto para ela, carregando no peito a intensidade de um homem dividido entre passado e futuro, sobrecarregado pela esperança de fazer a diferença. Durante o trajeto até o FIEP, enquanto o sedan de luxo serpenteava pelas avenidas iluminadas de Curitiba sob o céu noturno salpicado de estrelas e nuvens carregadas, Eliot pegou seu celular e deu uma olhada rápida em alguns e-mails, o brilho azul da tela contrastando com as luzes amareladas dos postes que piscavam ritmicamente nas janelas escurecidas. A noite curitibana pulsava com uma energia urbana sutil: o tráfego fluido de veículos cortando a escuridão úmida, o som abafado de buzinas distantes e o aroma de terra molhada misturado ao cheiro de comida de rua de lanchonetes abertas até tarde, evocando uma sensação de vida incessante em meio à tranquilidade aparente. Eliot sentia uma inquietude crescente, seu corpo estremecia pela pressão de responsabilidades que pesavam como sombras antigas em seu peito, misturando ansiedade pelo evento à frente com uma urgência paternal de resolver assuntos domésticos. Então, voltou-se para Uriel e perguntou, sua voz carregada de uma preocupação genuína e afetuosa, como um pai dividido entre o mundo exterior e o lar. - Conseguiu a babá noturna?APRILEu andava de um lado para o outro no imenso quarto em que eu estava. Eu não conseguia encontrar um jeito de atingir aquele projeto de família feliz. Como os odeio, odeio com todas as minhas forças. Riven me disse para ter paciência, que eu terei a minha vingança, que eu vou conseguir esmagá-los um a um, mas eu já estava cansada de esperar. Foi por isso que mandei vigiarem a casa deles. Eu queria saber de todo e qualquer passo que eles dessem, eu queria estar preparada caso viessem para cima de nós. Eu estava ansiosa. Quando meu informante me avisou que eles haviam chamado um médico, eu logo tratei de mandar um dos meus no lugar. Eu queria que ele me dissesse cada detalhe do que estava acontecendo. Será que Marcel ainda estava mal pelos ferimentos que causamos? Ou será que a maldita filha do Riven finalmente vai bater as botas?Riven me garantiu que eu teria meu momento, disse que eu deveria ser paciente, mas acontece que eu não era comandada quando estava com Eliot... mesmo tend
MERCEDES SANTORINILevantei cedo como de costume. Eu queria muito fazer uma comida gostosa para a menina Bella. Ultimamente ela tem estado cansada e os efeitos da gravidez nela não estão ajudando muito. Esse começo está mesmo deixando ela muito mal. Se bem que temo que o mal-estar dela é derivado dos poderes que essa criança herdará. Pode até não parecer para alguns, mas desde que ela chegou nessa casa eu tenho percebido que ela lembra April, mas ela definitivamente é muito mais forte do que ela.Terminei de fazer todo o café da manhã quando os rapazes apareceram. Uriel e Eliot estavam arrumados para o dia, enquanto Marcel estava com os cabelos desgrenhados e um pouco sonolento.- Caramba, Marcel, você parece ter saído da cama, mas a cama não parece ter saído de você. - falou Uriel enquanto se sentava.- Ah cara, a Bella passou a madrugada inteira vomitando. Eu não iria deixar a minha mulher sofrendo enquanto eu dormia. - respondeu Marcel com a voz lenta, demonstrando seu cansaço. - E
ISABELLA VERMONTEu não posso acreditar no que eu acabei de ouvir. Como que Eiva pode saber disso? Seria um dos seus poderes? Eu estava simplesmente sem conseguir acreditar em tudo o que eu estava ouvindo. Eu não poderia estar grávida, eu estava tomando anticoncepcional desde quando tivemos a nossa primeira noite juntos. Não... isso é impossível. Eu não estou grávida, é engano da Eiva.- Pessoal... que cara é essa de vocês? Parece que viram um fantasma. Eu não posso estar grávida... eu tomo anticoncepcional, lembra amor? Não tem como, não é? - perguntei um tanto incerta da possibilidade.- Querida... - disse Mercedes chamando a minha atenção. - Você não pode ter certeza. O anticoncepcional nem sempre é garantido. Eu conheço várias mulheres que ficaram grávidas mesmo tomando... April é um exemplo disso. - ela disse me olhando de forma carinhosa.- E ainda tem o fato de que escutamos os batimentos do coração do bebê. - disse Uriel, que estava de pé olhando para mim com uma expressão que
URIEL LESSANOs dias passaram tão rápido que nem mesmo notei o tempo passando. Eu estava muito focado em encontrar os demônios e acabar com eles junto com Eliot, antes que fizessem mal para alguém. Os demônios não eram nada fortes, eu e Eliot não tínhamos trabalho em acabar com eles. Para ser sincero... não precisaria de nós dois para terminar o trabalho. Eu me sentia bem em acabar com eles, descontar minha raiva, mas algo não estava certo... eles eram fracos demais se comparados ao Akaran que enfrentamos anteriormente. Eu suspeito que isso possa ser algum tipo de armadilha ou distração. Não falei dessas suspeitas com Eliot ainda porque ele já está muito preocupado com Eiva. Eu não quero colocar ainda mais problemas na cabeça dele. Primeiro irei investigar sozinho, depois, se as minhas suspeitas se confirmarem, aí sim eu irei relatar alguma coisa.Entre os eventos beneficentes e a procura por demônios, o tempo passou voando levando consigo um mês e meio. Marcel começou a trabalhar nov
Último capítulo