O quarto parecia pequeno demais para nós dois. O silêncio, depois daquela frase, era quase palpável. Eu me mantinha perto da janela, como se o vidro pudesse me oferecer alguma proteção ou opção de fuga e ele a um passo de distância agora.
— Você está tensa demais — disse, sem rodeios, passando a mão pelo rosto. — Achei que depois de hoje… relaxaria um pouco.
— Tensa? — repeti, forçando um sorriso que não alcançou os olhos. — Estou apenas cansada.
— Não. — A voz dele veio firme. — Cansaço eu reconheço. Isso que você tem é medo.
Meu corpo travou, respirei fundo tentando relaxar, mas não consegui. Ele se levantou devagar, caminhando até a mesa. Tirou o relógio, ajeitou a manga e pegou o celular. A postura, ainda que natural para ele trazia aquele traço de autoridade e controle total.
— Eu aprendi cedo a identificar expressões — continuou. — Saber quando alguém mente, quando alguém esconde algo de mim. No meu ramo, isso mantém você vivo.
Ele não falou “nos negócios”. Não falou “no mercado