Fiquei parado diante da porta por longos minutos, com a fotografia nas mãos. A imagem parecia queimar meus dedos. Era como se, de repente, tudo o que eu precisava provar estivesse ali: minha mãe, comigo no colo… e Isabel, ao fundo, sorrindo com um falso ar maternal. Como alguém tão próxima à minha origem pôde me enterrar vivo num orfanato, e ainda assim manter esse retrato guardado por tantos anos?
Entrei no quarto, fechei a porta com cuidado e me sentei no chão, apoiando as costas na parede.