CAPÍTULO 5

Alexandre Montenegro

Alexandre Montenegro não dormia direito havia anos.

Mas naquela noite foi diferente.

Porque, pela primeira vez em muito tempo, não eram guerras, negócios ou sangue que ocupavam sua mente.

Era uma mulher.

Uma mulher de olhos castanhos cansados e corpo coberto de hematomas, que ele não sabia de onde vinham.

Zara Moraes.

O nome dela permanecia preso em seus pensamentos como uma obsessão silenciosa.

Aquilo o irritava profundamente.

Alexandre estava parado diante da enorme janela da cabana, observando a neve cair sobre a montanha que agora se encontrava escura.

O whisky em sua mão permanecia intacto.

Sua mente voltava repetidamente para o quarto no andar de cima onde se encontrava a sua obsessão.

Para a febre dela.

Para o jeito como o corpo pequeno estremecera sob seu toque.

Para o olhar que Zara lançou a ele poucos minutos antes.

Ela estava começando a esquecê-lo como ameaça.

Erro grave.

Muito grave.

Os olhos azuis escureceram.

Alexandre sabia exatamente o tipo de homem que era.

Violento.

Controlador.

Perigoso.

Homens como ele destruíam pessoas.

Principalmente mulheres como Zara.

Mulheres que ainda carregavam humanidade dentro de si.

Ele deveria mandá-la embora assim que a tempestade acabasse.

Deveria.

Mas a simples ideia de vê-la sair daquela cabana provocou algo brutal dentro dele.

Possessividade.

Seu maxilar travou.

Aquilo precisava parar imediatamente.

O celular vibrou sobre a mesa de madeira escura.

Alexandre atendeu sem desviar os olhos da janela.

— Fale.

Do outro lado da linha, Dante Volkov permaneceu em silêncio por dois segundos antes de responder.

— Encontramos os homens.

A expressão de Alexandre não mudou.

Mas alguma coisa mortal atravessou seu olhar.

— Quantos?

— Três.

— Vivos?

— Dois.

Alexandre levou lentamente o copo aos lábios.

Calmo.

Frio.

Controlado.

— Onde?

— A quinze quilômetros da montanha. Estavam armados e perguntando sobre uma mulher brasileira.

Os dedos dele apertaram levemente o cristal do copo.

Zara.

Mesmo longe dela, o simples pensamento daqueles homens a procurando fazia algo sombrio crescer dentro dele.

Algo violento.

— Eles disseram nomes? — perguntou.

— Não. Mas encontramos fotos dela nos celulares.

Silêncio.

A temperatura dentro da cabana pareceu cair alguns graus.

Alexandre fechou os olhos brevemente.

Quando voltou a abri-los, já não havia absolutamente nada humano neles.

— Levem os dois para o galpão.

Dante entendeu imediatamente o significado daquela ordem.

Tortura.

Interrogatório.

Dor.

— E o terceiro? — perguntou.

Alexandre terminou o whisky de uma vez.

— Mate.

A resposta veio fria.

Natural.

Como respirar.

Do outro lado da linha, Dante permaneceu quieto.

Acostumado.

Porque homens morriam todos os dias por ordens de Alexandre Montenegro.

Mas dessa vez havia algo diferente.

Pessoal.

— Ela é importante? — Dante perguntou por fim.

Os olhos azuis subiram lentamente até a escada que levava ao quarto de Zara.

Longos segundos passaram.

Então Alexandre respondeu:

— Ainda não sei.

Mas era mentira.

Ele já sabia.

E isso o deixava perigosamente irritado.

A ligação terminou.

O silêncio voltou à cabana.

Alexandre apoiou o copo vazio sobre a mesa e passou a mão lentamente pela nuca, tentando controlar a tensão crescendo dentro dele.

Não gostava daquela sensação.

Não gostava da necessidade absurda de saber se Zara estava dormindo.

Se a febre tinha diminuído.

Se ela ainda tremia.

Aquilo parecia fraqueza.

E fraqueza matava.

Seu pai havia ensinado isso cedo demais.

Alexandre se tornou poderoso justamente porque nunca permitia que emoções interferissem em suas decisões.

Nunca.

Então por que diabos aquela mulher estava bagunçando sua mente em menos de dois dias?

Ele fechou os olhos brevemente.

E viu novamente Zara olhando para ele na cama.

Assustada.

Desafiadora.

Linda demais.

Os dedos dele se fecharam lentamente.

Não.

Aquilo precisava acabar antes de se transformar em problema.

Alexandre subiu as escadas em silêncio.

Cada passo parecia mais pesado.

Quando abriu discretamente a porta do quarto, encontrou Zara dormindo.

Ou tentando.

A respiração dela ainda estava irregular.

O rosto permanecia levemente vermelho pela febre.

Alguns fios escuros caíam sobre sua pele dourada.

Ela parecia pequena naquela cama enorme.

Frágil.

Mas Alexandre sabia que fragilidade podia ser ilusão.

Sobreviventes como Zara escondiam lâminas sob cicatrizes.

Ele ficou observando em silêncio por alguns segundos.

Longos demais.

Então tomou a decisão mais perigosa que poderia tomar.

Aproximou-se da cama.

E puxou lentamente o cobertor até cobrir melhor o corpo dela.

O movimento fez Zara se mexer levemente.

Os olhos castanhos abriram devagar.

Confusos.

Sonolentos.

E pararam nele imediatamente.

O coração de Alexandre endureceu dentro do peito.

Porque havia confiança começando a nascer naquele olhar.

Um erro.

Um maldito erro.

Os dedos dele tocaram suavemente o rosto quente dela por apenas um segundo.

Depois a voz grave atravessou o silêncio do quarto:

— Essa é sua primeira ordem, Zara.

Ela piscou lentamente.

— Ordem ?

Alexandre sustentou o olhar dela sem hesitar.

Frio.

Dominante.

Possessivo.

— Enquanto estiver sob meu teto, ninguém toca em você sem passar por mim primeiro.

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