O Guarda-Costas da Filha do Magnata
O Guarda-Costas da Filha do Magnata
Por: J.S
O Segurança

Helena Valente sempre soube que sua vida não lhe pertencia por completo.

Ser filha única de Augusto Valente — um dos homens mais poderosos e temidos do país — vinha com regras, vigilância constante e seguranças demais.

Naquela manhã, ao descer as escadas da mansão ainda vestindo um pijama de seda, percebeu que algo estava diferente.

Um estranho.

Ele estava ao lado de seu pai, imóvel como uma estátua, vestido de preto dos pés à cabeça. Quando seus olhares se cruzaram, um arrepio percorreu-lhe a espinha diante da intensidade daquele olhar — algo que jamais admitiria, nem para si mesma.

— Helena — disse Augusto Valente, sem tirar os olhos do tablet. — Este é Rodrigo Almeida. Seu novo segurança.

Ela o analisou sem pressa. Alto demais para passar despercebido. Sério demais para ser ignorado. Havia algo nele que incomodava… e, contra a própria vontade, atraía.

— Mais um? — perguntou, com desinteresse ensaiado. — Quantos já foram só este ano?

— O suficiente para garantir que você continue viva.

Rodrigo sustentou o olhar dela. Não sorriu. Não desviou. Havia uma calma perturbadora em sua postura.

Helena sentiu um leve aperto no estômago.

— Ótimo — disse, virando-se. — Espero que não seja do tipo falante.

— Não sou — respondeu ele, por fim. A voz era baixa, firme. — Só faço o meu trabalho.

Ela se afastou fingindo indiferença, mas já sabia: aquele homem seria impossível de ignorar.

Naquela noite, Helena tinha uma festa.

Uma daquelas em que tudo brilhava demais e quase ninguém parecia realmente feliz.

Vestido curto, salto alto, maquiagem impecável. Desceu as escadas com a confiança de quem aprendera, desde cedo, a parecer intocável — mesmo quando não se sentia assim.

Rodrigo a aguardava próximo ao carro.

Observou-a por segundos contados. Intensos o bastante para que Helena sentisse o peso daquele olhar — e rápido demais para parecer descarado.

Ao chegarem, ela abriu a porta sem esperar por ele.

— Não me acompanhe — disse, ajustando a bolsa no ombro. — Espere aqui fora.

Rodrigo permaneceu imóvel por um instante, avaliando-a.

— Aqui fora — repetiu ela, firme.

Ele assentiu lentamente.

— Certo.

Helena entrou na festa convencida de que havia imposto distância suficiente.

Sem que ela percebesse, Rodrigo entrou discretamente no local e manteve-se a uma distância calculada.

Entre luzes baixas e música alta, não era difícil identificá-la. Não apenas pelo vestido que atraía olhares, mas pela forma como ocupava o espaço.

Caminhava de cabeça erguida, mas os ombros enrijeciam quando alguém se aproximava demais. O sorriso surgia fácil — ensaiado — e desaparecia rápido quando acreditava não estar sendo observada.

Autodefesa, concluiu.

Gente rica aprende cedo a fingir.

Ela segurava o copo com força excessiva, ajustava o cabelo com frequência. Pequenos gestos. Detalhes que não deveriam importar.

Desviou o olhar. Aquilo não fazia parte do protocolo.

Quando voltou a observá-la, Helena estava sozinha, encostada no bar. Por um instante, quase não parecia carregar o sobrenome que todos ali reconheciam.

O nome atravessou sua mente como um alerta seco.

Augusto Valente.

Era por isso que estava ali.

Não por dinheiro.

Não por lealdade.

Era um ajuste de contas.

Rodrigo o notou antes mesmo de Helena.

O andar instável.

O copo cheio.

O olhar fixo demais.

Problema.

— Até que enfim apareceu — disse o homem, puxando-a pelo braço.

— Me solta, Gustavo — respondeu ela, mantendo a postura. - Você bebeu demais.

O aperto aumentou.

Rodrigo já estava em movimento.

— Ela mandou soltar — disse, baixo.

— E você é quem?

O soco veio rápido. Preciso.

Gustavo caiu.

O silêncio se espalhou.

Rodrigo o segurou pelo colarinho.

— Chega perto dela de novo — murmurou. — E isso vai ser o menor dos seus problemas.

Virou-se para Helena.

— Você está bem?

Ela assentiu. Mas o olhar já não era o mesmo.

— O que você está fazendo aqui? — disse, fria. — Eu mandei você ficar do lado de fora.

— Ele estava te machucando.

— Eu sei me defender sozinha.

Rodrigo sustentou o olhar dela por um segundo além do necessário.

— Não parecia.

— Isso não te dá o direito de—

— Dá, sim. Quando alguém perde o controle, o direito deixa de ser opinião.

O silêncio entre os dois ficou denso demais para um corredor lotado.

— Da próxima vez — disse ela — fique onde eu mandar.

— Da próxima vez — respondeu — você presta mais atenção em quem está se aproximando.

Nenhum dos dois cedeu.

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