Você sabe que isso não apaga nada, Ricardo.
Ricardo
A porta se abre no exato milésimo de segundo em que minha mão se prepara para ferir o silêncio com a campainha pela segunda vez.
Elza surge no vão, uma sentinela doméstica em seu avental de linho claro, o pano de prato pendurado no ombro como uma insígnia de autoridade. O olhar que ela me lança é uma balança de precisão: mede meu terno, meu cansaço e minha audácia em um único relance. Não há o calor das boas-vindas, nem o gelo da hostilidade; há apenas a vigilância de quem guarda um ter