Antes que ela responda, ouvimos Elza no corredor.
— O almoço fica pronto em dez minutos — avisa, sem invadir o quarto, a presença marcando território mesmo à distância.
Natália assente levemente.
— Obrigada, Elza.
Os passos se afastam, mas a vigilância permanece.
— Quer ficar para o almoço? — ela pergunta, finalmente.
Assinto, incapaz de confiar na minha voz.
Ficamos ali, imersos no silêncio do quarto. Um berço. Um filho. Uma mulher que já não me pertence por direito, mas que me atravessa por destino.
Ricardo
O almoço acontece como se fosse um acordo silencioso entre três pessoas que sabem demais.
Elza serve os pratos com a precisão de quem já fez aquilo centenas de vezes — e comigo ali, talvez dezenas. O som da colher tocando a porcelana me atravessa. Eu conheço esse som. Ele fazia parte dos meus dias quando tudo ainda estava inteiro.
Natália se senta devagar. O gesto é automático, mas o corpo agora exige respeito. A barriga ocupa o espaço entre a mesa e ela, uma presença que reorgan