Quando eu saí da vida dela, ela ainda me respondia.
Ricardo
O quarto do hotel é grande demais.
Luxo demais costuma ter esse efeito: tudo é correto, silencioso, impecável — e absolutamente impessoal. A cama king-size está intacta, os lençóis de algodão egípcio esticados com uma precisão militar. As cortinas pesadas de veludo filtram a luz da cidade, transformando o dia em uma penumbra controlada. O ar-condicionado mantém a temperatura exata, constante, sem permitir que o calor ou o frio invadam o meu espaço. Nada falta.
Mesmo assim, algo está fora do lugar. É uma dissonância sutil, um ruído no silêncio que só eu consigo ouvir.
Eu estou sentado na beira da cama, o paletó de corte italiano dobrado com cuidado sobre a poltrona de design. A gravata está afrouxada, o nó desfeito, um pequeno ato de rebeldia que não me traz alívio. O celular está na minha mão.
Eu olho para a tela pela terceira vez em menos de um minuto.
Nenhuma resposta.
Eu franzo o cenho, como se o aparelho estivesse com defeito, como se a falha estivesse na tecnologia e não