Ricardo
Acordo antes do despertador.
O quarto do hotel ainda está mergulhado em um silêncio artificial, organizado demais para uma manhã que deveria ser comum. A luz do sol entra filtrada pelas cortinas pesadas de veludo, criando sombras longas e cinzentas que parecem se estender pelo chão de carpete impecável. Por alguns segundos, meu corpo parece funcionar normalmente, seguindo a inércia de anos de disciplina. Nenhuma dor aguda me atinge de imediato. Nenhum alarme soa na minha mente.
Sinto apenas um cansaço estranho, uma letargia que não combina com a urgência dos meus negócios no Rio.
Levanto-me da cama king-size, os lençóis frios denunciando a minha própria falta de calor. Vou até a janela, afasto levemente a cortina e observo a cidade lá embaixo acordando sem mim. O movimento dos carros, o brilho do sol refletido nos prédios de vidro, a vida que pulsa indiferente ao meu isolamento. Tomo um gole de água do copo de cristal ao lado da cama. A água desce gelada pela minha garganta, m