Ricardo
Acordo antes do despertador.
O quarto do hotel ainda está mergulhado em um silêncio artificial, organizado demais para uma manhã que deveria ser comum. A luz do sol entra filtrada pelas cortinas pesadas de veludo, criando sombras longas e cinzentas que parecem se estender pelo chão de carpete impecável. Por alguns segundos, meu corpo parece funcionar normalmente, seguindo a inércia de anos de disciplina. Nenhuma dor aguda me atinge de imediato. Nenhum alarme soa na minha mente.
Sinto ap