Ele não foi gélido, Clara. Foi apenas... Ricardo.
A mãe se aproxima, percebendo o desastre silencioso.
— Quer que eu o pegue?
— Quero — respondo, a voz mecânica.
Ela retoma o filho e sorri, sem imaginar o estrago.
— Obrigada.
Dou um passo para trás. O vazio em meus braços é agora um buraco negro. Volto para Ana e Clara.
— O que foi aquilo? — Ana pergunta, os olhos fixos nas costas de Ricardo.
— Nada. Ele só não gosta de multidões — minto, a justificativa saindo amarga.
— Multidões com um bebê? — Clara questiona, sua voz calma me desarmando.
— Ele está exausto. A viagem... — Repito a mentira, tentando acreditar nela.
Ana suspira e vai buscar mais bebida. Fico sozinha com Clara.
— Natália... ele não precisava ser tão gélido.
— Ele não foi gélido, Clara. Foi apenas... Ricardo.
— Você estava radiante com aquele bebê — ela diz. — Não tente esconder isso de si mesma.
Olho para o salão. Ricardo já está em outra mesa, conversando, sorrindo, sendo o CEO perfeito. Como se eu não existisse. Como se o bebê nunca tivesse estado ali.
— Vou ao banh