Natália
O quarto está mergulhado numa penumbra calculada quando entro. Não é o escuro confortável de quem busca o sono ao lado de alguém amado. É um escuro escolhido, imposto, controlado. A luz da lua mal ousa invadir pelas frestas das cortinas pesadas, criando sombras longas e distorcidas que dançam nas paredes, como segredos que se recusam a ser revelados.
Ricardo já está deitado. De costas para mim, o corpo perfeitamente alinhado sob o edredom de seda, como se até o descanso obedecesse a uma