Dois dias.
Ricardo
É o tempo que permaneço suspenso, num limbo que me recuso a chamar de espera. Não piso na matriz, não apareço na construtora. Invento reuniões fantasmas, respondo mensagens com monossílabos secos, calculados para não levantar suspeitas. Ninguém estranha. Sempre fui o mestre da distância, resolvendo o mundo através de telas e ordens curtas. Mas agora, o isolamento não é controle. É fuga.
Fico enclausurado no quarto do hotel, as cortinas pesadas bloqueando qualquer vestígio de luz solar.