Parte 32...
Emir
Engoli em seco. Os nomes deles ecoaram na minha cabeça de novo. Eu já tinha ouvido antes. Em algum lugar. Algum relatório, talvez. Mas nada se encaixava ainda.
— Quando eles morreram - ela continuou — Aí tudo desabou. Não foi só a perda. Foi o vazio. A casa ficou grande demais, silenciosa demais.
— E sua tia?
— Já estava doente – respondeu torcendo a boca e suspirando. — O Alzheimer começou devagar. Primeiro esquecia panelas no fogo, depois nomes, depois dias inteiros. Eu ainda estudava naquela época. Nós mudamos para o apartamento pra ficar com ela. Era difícil fazer tudo.
Ela soltou um riso amargo.
— Eu tentava, pelo menos.
— Tentava? - incentivei.
— Eu trabalhava de manhã, estudava à noite e cuidava dela o resto do tempo. Até que não deu mais. As faltas, o cansaço… E eu abandonei os estudos.
Havia algo na maneira como ela falava que não era vitimismo. Era exaustão antiga. Aquela que se instala e nunca mais vai embora.
— E nunca voltou por que?
— Nunca pude – respon