A manhã seguinte nasceu cinzenta, um reflexo perfeito do estado de espírito de Isabella. A rotina, no entanto, é implacável e não se importa com corações partidos. Ela se levantou, preparou o café da manhã para si e para Benjamin e se agarrou à normalidade como a um bote salva-vidas. A dor era uma correnteza forte, e a rotina era a única coisa a que ela podia se agarrar para não ser levada.
Ela decidiu que não trabalharia de casa. Ficar entre aquelas quatro paredes, onde a memória de Oscar ainda era tão recente, seria uma tortura. Ela precisava de movimento, de pessoas, do barulho impessoal de um escritório para preencher o silêncio em sua mente.
— Bom dia, meu amor. Pronto para a escola? — disse ela, a voz forçadamente alegre, enquanto amarrava os sapatos de Benjamin.
— Sim! A gente vai ver o tio Oscar hoje? — perguntou ele, com a inocência que só uma criança de quatro anos possui.
O golpe foi instantâneo, uma pontada aguda no peito. Isabella forçou um sorriso.
— Hoje n