“Aprendi que o último ato de um homem com medo nunca é força — é confissão. E quando alguém se revela por inteiro, não precisa mais ser derrubado. Ele cai sozinho.”
🖤
A calmaria é enganosa. Aprendi cedo que, quando o mundo fica quieto demais, alguém está se reposicionando para matar sem errar. O silêncio não é ausência de movimento — é contenção. Os relatórios chegam espaçados, fragmentados, como pedaços de um corpo que ainda se debate. O tipo de informação que só aparece quando os ratos já começaram a abandonar o navio… e o capitão finge que ainda segura o leme.
— Ele está tentando negociar proteção — diz Lúcio, a voz baixa, os olhos presos à tela. — Com gente que sempre fingiu não conhecê-lo.
Sorrio de canto. Sem humor.
— Fingir é mais barato que lealdade — respondo. — E dura menos. Quando o medo muda de endereço, a memória falha rápido.
Lúcio hesita.
— Alguns desses contatos… já foram seus. Antigos.
— Foram — corrijo. — E é por isso que agora têm pressa. Quem muda de lado