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154: Fernando Torrenegro

“Aprendi que o último ato de um homem com medo nunca é força — é confissão. E quando alguém se revela por inteiro, não precisa mais ser derrubado. Ele cai sozinho.”

🖤

A calmaria é enganosa. Aprendi cedo que, quando o mundo fica quieto demais, alguém está se reposicionando para matar sem errar. O silêncio não é ausência de movimento — é contenção. Os relatórios chegam espaçados, fragmentados, como pedaços de um corpo que ainda se debate. O tipo de informação que só aparece quando os ratos já começaram a abandonar o navio… e o capitão finge que ainda segura o leme.

— Ele está tentando negociar proteção — diz Lúcio, a voz baixa, os olhos presos à tela. — Com gente que sempre fingiu não conhecê-lo.

Sorrio de canto. Sem humor.

— Fingir é mais barato que lealdade — respondo. — E dura menos. Quando o medo muda de endereço, a memória falha rápido.

Lúcio hesita.

— Alguns desses contatos… já foram seus. Antigos.

— Foram — corrijo. — E é por isso que agora têm pressa. Quem muda de lado
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