"Não existe retorno quando você aprende a ouvir o mundo de verdade."
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Saio antes do amanhecer. Não peço permissão. Não deixo bilhete. Não por descuido, mas porque algumas decisões não admitem explicações - apenas consequências. Fernando sabe. Ele sempre sabe quando algo em mim já atravessou o ponto de retorno. Há escolhas que não precisam ser anunciadas; elas simplesmente acontecem, e o mundo que se adapte.
O carro corta a cidade ainda adormecida. As ruas vazias não me intimidam. Pelo contrário. Há uma lucidez rara nesse silêncio, como se cada semáforo apagado e cada fachada fechada confirmassem o que já está claro dentro de mim. Cada curva traz uma lembrança. Não ferem mais. Não sangram. Agora servem como bússola. O passado deixou de ser prisão e passou a ser mapa.
O lugar para onde vou não aparece nos mapas recentes. Meu pai sempre preferiu espaços esquecidos, territórios que o tempo abandonou - como se a ausência de testemunhas pudesse absolver pecados. Um antigo galpão à bei