"A guerra dele sempre teve cheiro de pólvora. A minha tem cheiro de memória."
🖤
Não durmo naquela noite. Não por medo — por lucidez. Há um tipo raro de vigília que não vem da ansiedade, mas da organização interna. Como se, depois de anos tropeçando em versões incompletas de mim mesma, tudo finalmente tivesse encontrado o lugar certo. Não há conflito. Não há ruído. Apenas alinhamento. Sinto como se cada pedaço da mulher que fui tivesse dado um passo à frente e ficado lado a lado, sem disputa.
A filha obediente que aprendeu cedo a engolir palavras..A mulher ferida que confundiu sobrevivência com amor. A esposa por contrato, treinada para existir em silêncio. A amante do homem errado — ou talvez do único que nunca mentiu sobre quem era. A mãe que ainda aprende a existir sem manual, guiada mais pelo instinto do que pela certeza. Agora sou todas elas. Ao mesmo tempo. Inteiras. E nenhuma dessas versões corre mais.
Não há tremor nas minhas mãos. Não há aquela pressa antiga de desaparece