Início / Máfia / O DON QUE ME ESCOLHEU / 137: Fernando Torrenegro
137: Fernando Torrenegro

A primeira coisa que volta depois do disoaro não é a dor. É o peso. Um peso estranho no peito, como se o ar tivesse aprendido a me odiar. Depois vem o som — abafado, distante, como se o mundo estivesse submerso. Máquinas. Passos. Vozes que entram e saem da minha consciência sem pedir permissão.

E então… ela.

Não preciso vê-la para saber que está ali.

Eu a sinto do mesmo jeito que sempre senti: como se minha alma tivesse aprendido o caminho antes do corpo. Há um silêncio específico quando Luna está perto. O caos desacelera. O inferno recua um passo.

— Fernando…

O nome chega fraco, contido, mas carrega algo que nenhuma bala conseguiu arrancar de mim: pertença.

Tento responder, mas o corpo não obedece. Cada músculo parece feito de vidro trincado. O peito queima. A respiração arranha. Mesmo assim, forço. Não por mim. Por ela.

— Ei… — consigo murmurar, e o som sai errado, áspero.

Sinto quando ela se aproxima. Não corre. Não tropeça. Luna nunca se move como quem tem pressa; ela se m
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