A primeira coisa que volta depois do disoaro não é a dor. É o peso. Um peso estranho no peito, como se o ar tivesse aprendido a me odiar. Depois vem o som — abafado, distante, como se o mundo estivesse submerso. Máquinas. Passos. Vozes que entram e saem da minha consciência sem pedir permissão.
E então… ela.
Não preciso vê-la para saber que está ali.
Eu a sinto do mesmo jeito que sempre senti: como se minha alma tivesse aprendido o caminho antes do corpo. Há um silêncio específico quando Luna está perto. O caos desacelera. O inferno recua um passo.
— Fernando…
O nome chega fraco, contido, mas carrega algo que nenhuma bala conseguiu arrancar de mim: pertença.
Tento responder, mas o corpo não obedece. Cada músculo parece feito de vidro trincado. O peito queima. A respiração arranha. Mesmo assim, forço. Não por mim. Por ela.
— Ei… — consigo murmurar, e o som sai errado, áspero.
Sinto quando ela se aproxima. Não corre. Não tropeça. Luna nunca se move como quem tem pressa; ela se m