São olhos febris, turvos, mas vivos. Eu não os vejo como os outros veriam — eu os sinto. Sinto pelo jeito que a respiração dele muda, pelo silêncio atento que se forma quando ele desperta, pelo modo como o corpo dele se inclina minimamente em minha direção, como se a alma reconhecesse o caminho antes do corpo obedecer. A primeira coisa que ele faz não é se mover. É me procurar.
— Luna…
Meu nome sai da boca dele como uma prece dita por quem voltou do fundo do abismo. Não é apenas som. É um pedido. Um ancorar. E eu desmorono. As lágrimas vêm sem aviso, quentes, descontroladas, carregando alívio, amor e todas as palavras que ficaram presas entre nós quando o medo falou mais alto.
— Estou aqui — respondo, e minha voz treme apesar do esforço para mantê-la firme. Inclino-me mais perto, para que ele me sinta. — Você está seguro agora.
Fernando tenta se mover. O colchão range sob o esforço inútil, o ar escapa do peito dele com dor. Antes que ele force mais, minha mão encontra o tórax dele