A madrugada ainda veste a fazenda com seu manto espesso e silencioso quando Marta, sentada na rede da varanda, embala Lua com o mesmo cuidado que se embala um fio de esperança. Seus olhos estão vermelhos, não apenas de cansaço, mas da dor crua que insiste em pulsar como um tambor em sua alma. A brisa fria acaricia os cabelos soltos, e o som abafado dos grilos não consegue competir com o barulho dentro de sua mente. Ainda que o mundo tenha desabado, ela não desgruda da filha nem por um segundo.