O relógio marca algum horário indefinido no meio da madrugada quando Marta abre os olhos, mas algo em seu peito já estava desperto antes do ponteiro mudar de lugar. É como se a alma chamasse, baixinho, firme, dizendo: é agora. O corpo pesa, o coração mais ainda, mas ela sabe. É hoje. É nessa madrugada quieta, sem testemunhas, que ela vai se despedir de tudo o que construiu com o suor, os sonhos e a coragem. O sítio dorme, mas Marta não consegue mais. Porque antes de ir, ela precisa lembrar. Pre