O corredor do Grupo Schneider é silencioso, mas para Vivian cada passo ecoa como um trovão. O som metálico do salto contra o piso polido reverbera dentro dela como um lembrete cruel de está em território inimigo. Os olhos percorrem as paredes de vidro e aço, tão impecáveis quanto frias, e o coração bate em descompasso. Ainda consegue ver a cena gravada em sua mente, repetida como uma tortura, Rui abrindo um sorriso caloroso para Marta e, segundos depois, descartando-a com a palavra seca que a destruiu por dentro, “cliente”.
É como se o ar pesasse toneladas. Vivian aperta a bolsa contra o peito, buscando uma proteção que não existe. Tudo nela parece funcionar no automático, andar, respirar, manter a postura. Mas dentro da mente, o caos grita. A dor é funda, quase física, como se alguém tivesse arrancado algo essencial de dentro dela.
Alan surge em seus pensamentos, não como lembrança doce, mas como fantasma. Ele, que foi seu primeiro e único homem até então. Ele, que nunca a fez se sen