A cobertura silenciosa parece respirar com ela. Cassandra anda de um lado a outro, como uma fera enjaulada, mas agora é diferente: sente que tem um abrigo, um teto que lhe pertence. A cidade dorme lá fora, indiferente, mas dentro dela pulsa um veneno antigo, corroendo cada pensamento. Jonathan Schneider. O nome ressoa como marteladas em sua cabeça.
Ela serve-se de uma taça de vinho do Porto, mãos ainda trêmulas, mas o sorriso curvado em sua boca não deixa dúvidas, Cassandra se alimenta do rancor. O primeiro gole desliza pela garganta como se fosse fogo líquido, mas ela gosta. Sempre gostou de fogo, ainda que tenha sido marcada por ele.
Ela fecha os olhos, inclinando a cabeça para trás, e o delírio toma forma. Imagina Marta chorando, implorando, enlouqu