A rotina da corporação, antes um relógio suíço de eficiência e distanciamento, transformara-se em um cenário de guerrilha emocional onde cada minuto vago era uma oportunidade para a transgressão. O vício no toque de Nicholas instalara-se no sistema nervoso de Anne com a virulência de um código invasivo, impossível de deletar. Ela não era mais apenas a analista que monitorava vulnerabilidades; ela agora era a própria personificação de um risco calculado.
Nicholas, por sua vez, operava em um estado de vigília constante. A necessidade de sentir a pele de Anne, de ouvir o som de sua respiração fora do ambiente asséptico do escritório, tornara-se uma obsessão que desafiava sua lendária disciplina. Ele passou a arquitetar o cotidiano da empresa para criar brechas. Reuniões de "alinhamento urgente" eram agendadas em horários atípicos, e vistorias técnicas em andares menos movimentados tornaram-se o pretexto perfeito para encontros que faziam o sangue ferver.
Um desses momentos ocorreu em uma