📓 Narrado por Miguel
O silêncio ainda doía nos ossos.
Ela parada ali, o roupão de novo amarrado, a respiração curta, o peito subindo e descendo como se cada palavra tivesse arrancado um pedaço do que restava.
Eu não aguentei mais só olhar.
Dei um passo.
Depois outro.
Até ficar perto o bastante pra sentir o cheiro do sabonete misturado ao sal do choro.
— Clara… — falei, e minha voz falhou no meio. — Eu não te olhei com pena.
Ela levantou o rosto devagar, como quem não acredita.