📓 Narrado por Clara
A porta bateu devagar.
Mas o som ficou.
Grudado no ar.
Na pele.
Na lembrança.
O roupão ainda tava no chão, caído, inútil.
E eu ali de pé, sem saber se respirava ou gritava.
Não era vergonha.
Era raiva.
Dele.
De mim.
Do destino que sempre me arranca antes de eu escolher o que dar.
> Ele viu.
O homem que eu jurei que nunca veria, viu.
O olhar dele ficou preso em mim tempo o bastante pra rasgar o que eu levei anos pra costurar.
Não teve nojo