O vapor subia das xícaras como um sussurro tímido. Clarice soprava o chá distraidamente, os olhos fixos na janela que dava para o quintal coberto de folhas secas. O outono parecia ter estendido uma colcha de tons quentes sobre tudo. Havia algo de bonito no abandono das árvores.
Leonardo mexia o chá com a colher de forma lenta, como se cada giro despertasse uma lembrança.
— Você ainda escreve? — perguntou ele, quebrando o silêncio com o cuidado de quem pisa em folhas secas.
Clarice virou o rosto