Helena acordou com a sensação de que algo estava prestes a mudar.
Não tinha medo exatamente. Era uma lucidez incômoda, como quando a mente entende uma verdade antes do coração aceitar. A casa estava silenciosa demais naquela manhã, um silêncio que não transmitia paz, mas expectativa.
Ela se levantou cedo, vestiu o uniforme branco com o cuidado habitual e saiu do quarto. No corredor, respirou fundo antes de seguir para a cozinha. A rotina era a única coisa que ainda parecia sólida.
Matteo estava na mesa, tomando café sob a supervisão de uma das funcionárias. Ao vê-la, abriu um sorriso distraído, típico de quem associa presença à constância, não à posse.
— Bom dia, Helena — disse ele, animado.
— Bom dia — respondeu ela, com o tom leve e profissional de sempre.
Helena nunca confundiu seu papel naquela casa. Cuidava bem de Matteo porque esse era seu trabalho. Porque gostava de fazer as coisas direito. Porque acreditava que crianças mereciam estabilidade, independentemente de quem estivess