Mundo ficciónIniciar sesiónLuna Carvalho, 23 anos, vai a uma consulta ginecológica de rotina e, por um erro médico absurdo, é inseminada artificialmente com o material genético de Gabriel Montenegro — CEO bilionário, herdeiro de um império da tecnologia e noivo da influenciadora Valentina Alcântara. Luna é virgem e namora Rafael há anos, mas nunca foi além de beijos e abraços por escolha própria. Quando a gravidez é descoberta, a vida de Luna vira um caos: o namorado se sente traído, a família não entende, e a imprensa transforma sua história em manchete nacional. O que começa como uma relação forçada entre Luna e Gabriel se transforma em amizade sincera, cheia de provocações e química, enquanto Valentina faz de tudo para separá-los.
Leer másCapítulo 1: O Erro de Milhões
POV: Luna Carvalho O cheiro de antisséptico das clínicas ginecológicas sempre me deu um leve calafrio, mas aquela era apenas mais uma consulta de rotina. Pelo menos, era o que eu pensava enquanto olhava para o teto branco do consultório, esperando a Dra. Helena terminar o procedimento. Aos vinte e três anos, minha vida era rigidamente organizada: o trabalho promissor na editora, os planos de crescimento profissional e o namoro de longa data com o Rafael. Nós tínhamos um acordo claro. Passos maiores, incluindo nossa primeira noite juntos, aconteceriam no momento certo, quando estivéssemos estabilizados. Eu era virgem por escolha, dona das minhas próprias regras. — Prontinho, Luna. Tudo limpo por aqui — a Dra. Helena sorriu, tirando as luvas de látex com um estalo seco. — O laboratório envia os resultados de rotina em alguns dias. Você já está liberada. Agradeci, me vesti e saí dali direto para a editora, esquecendo completamente o assunto. Minha vida seguiu o fluxo normal por três semanas. Até que meu corpo começou a agir de forma estranha. A primeira pista foi um enjoo matinal avassalador que me fez perder o metrô. Depois, um cansaço que nem três xícaras de café conseguiam aplacar, acompanhado por uma sensibilidade absurda nos seios. Camila, minha amiga na editora e dona de uma percepção quase assustadora, largou os originais que estava revisando e me encarou de cima a baixo após me ver recusar o almoço pela terceira vez na semana. — Luna, você está com uma cara péssima. E essa mania de tomar chá de gengibre de hora em hora? — Ela estreitou os olhos, cruzando os braços. — Quando foi sua última menstruação? — Está atrasada uns dez dias, mas é só o estresse do fechamento do catálogo — respondi, tentando focar na tela do computador, embora meu estômago estivesse dando voltas. — Sei. Faz um teste de farmácia. Só para desencargo de consciência. — Camila, eu e o Rafael não... você sabe. Não tem como. — Testes de farmácia custam dez reais, amiga. Deixa de teimosia e faz logo. Para calar a boca dela, comprei o teste na farmácia da esquina na hora do almoço. Fiz o procedimento no banheiro da editora, rindo daquela situação absurda. Eu ia esfregar o resultado negativo na cara da Camila. Deixei o bastão de plástico sobre a pia e esperei os cinco minutos regulamentares enquanto checava meus e-mails no celular. Quando olhei para baixo, o riso morreu na minha garganta. Dois riscos vermelhos. Bem nítidos. Fortes e Inquestionáveis. — Não, não, não. Isso tá errado. Só pode tá estragado — sussurrei para o banheiro vazio, sentindo uma gota de suor frio escorrer pelas minhas costas. Saí dali sem falar com ninguém, peguei minha bolsa e fui direto para a clínica da Dra. Helena, exigindo ser atendida. Eu precisava de um exame de sangue. Precisava que a ciência desmentisse aquele pedaço de plástico vagabundo. O exame foi feito em regime de urgência devido ao meu estado de nervos. Duas horas depois, eu estava sentada na sala da diretoria clínica, com as mãos congeladas, esperando o resultado. A Dra. Helena entrou na sala segurando uma pasta parda. O rosto dela não tinha a leveza de três semanas atrás. Ela parecia ter envelhecido dez anos. Suas mãos tremiam levemente ao colocar o papel timbrado na minha frente. — Luna... o seu exame de Beta HCG quantitativo deu positivo. Você está grávida de aproximadamente três semanas. — Isso é impossível! — Minha voz falhou, um nó de pânico apertando meu pescoço. — Eu já te expliquei, Doutora. Eu nunca tive relações sexuais. Eu sou virgem! O teste está errado, só pode ser isso. A médica engoliu em seco, tirando os óculos e massageando as têmporas. O silêncio dela foi mais aterrorizante do que qualquer grito. — O teste não está errado, Luna. E nós sabemos que você está dizendo a verdade. — a voz dela era um sussurro trêmulo. — Nós revisamos as câmeras e os registros de procedimentos do dia da sua consulta de rotina. Houve uma quebra de protocolo inadmissível no nosso laboratório de reprodução assistida. — Do que você está falando? — Perguntei, sentindo o chão sumir sob os meus pés. — O técnico de plantão confundiu os frascos de triagem. O espéculo utilizado no seu exame de rotina foi contaminado diretamente com o material genético de um procedimento de fertilização in vitro que deveria ter ocorrido na sala ao lado. A sala pareceu girar. Minha mente tentava processar as palavras, mas elas pareciam vir de um idioma estrangeiro. Contaminado. Fertilização. Grávida. — Você está me dizendo que... vocês me engravidaram por um erro? — Minhas unhas cravaram-se nos braços da cadeira. — Foi um erro médico gravíssimo, e pedimos nossas sinceras desculpas Senhorita Carvalho. Nós já identificamos o doador do material genético. O sêmen pertence ao senhor Gabriel Montenegro, CEO da Montenegro Holdings. O nome ecoou pelas paredes da sala como uma bomba. Gabriel Montenegro. O bilionário implacável que estampava as capas de jornais de negócios, o herdeiro de um império tecnológico. Eu estava grávida do homem mais poderoso do país, sem nunca nem ter tocado nele.Capítulo 75: Fios InvisíveisPOV: Gabriel MontenegroO sol de terça-feira mal havia despontado no horizonte quando deixei a cama. Olhei para Luna, que continuava adormecida em uma posição confortável, com uma das mãos pousadas suavemente sobre a barriga. Ajeitei o edredom sobre seus ombros com o máximo de cuidado e vesti um terno escuro antes de descer para o andar térreo.A mansão já estava em plena atividade. No corredor do térreo, um dos enfermeiros de plantão saía do quarto do meu pai trazendo uma prancheta de relatórios vitais.— Bom dia, Sr. Montenegro — o profissional cumprimentou em tom baixo. — O Sr. Arthur teve uma noite tranquila. Os parâmetros cardíacos estão perfeitamente estáveis. Ele acabou de acordar.— Obrigado. Vou falar com ele rapidamente.Bati duas vezes na porta e entrei. Meu pai estava sentado na cama articulada, usando o mesmo olhar atento de sempre enquanto observava os jardins através da grande porta de vidro do quarto.— Pensei que você já estivesse n
Capítulo 74: O Jantar e as SuperfíciesPOV: Gabriel MontenegroA primeira noite dos meus pais na mansão transcorreu sob uma camada espessa de silêncio e cortesia forçada.Após me certificar de que meu pai estava devidamente acomodado em sua nova suíte, alimentado e sob a supervisão atenta dos enfermeiros de plantão, pedi a Lindalva que organizasse o jantar na sala de jantar principal. Eu sabia perfeitamente que encarar minha mãe à mesa seria um teste de paciência para mim e uma provação para Luna. Contudo, manter as aparências diante do meu pai e evitar que ele percebesse a ruína completa da relação entre a minha esposa e a minha mãe era uma prioridade absoluta.A longa mesa de jacarandá estava impecavelmente posta com a louça de porcelana e os talheres de prata . O ambiente parecia amplo demais, e o silêncio que pairava sobre o cômodo era interrompido apenas pelo estalar discreto do lustre de cristal e pelo tilintar dos talheres contra os pratos.Sentei-me na cabeceira principal.
Capítulo 73: A Chegada e os LimitesPOV: Luna CarvalhoA segunda-feira amanheceu sob um céu limpo, mas a atmosfera na mansão estava longe de ser serena. Desde as sete da manhã, a movimentação no andar térreo parecia a de um pequeno centro hospitalar. Técnicos e enfermeiros ajustavam os aparelhos na suíte adaptada perto da varanda dos fundos, enquanto Lindalva supervisionava a organização do quarto com a sua rigidez habitual.Acompanhei tudo do topo da escadaria. Eu vestia um vestido leve de manga longa que acomodava confortavelmente a discreta saliência da minha gestação. Gabriel estava no escritório ao lado, finalizando alinhamentos de segurança com a equipe do Marcos pelo telefone.Por volta das dez e meia, o som grave dos motores anunciou a chegada do comboio. Uma ambulância de suporte avançado para atendimento domiciliar estacionou na entrada social, acompanhada por um carro executivo escuro.Gabriel saiu do escritório no mesmo segundo, ajeitando os punhos da camisa social.
Capítulo 72: Correntes e AliançasPOV: Luna CarvalhoDesliguei a chamada de Gabriel e encarei o celular na minha mão por alguns segundos. A urgência e a gravidade no tom de voz dele ecoavam na minha mente. Desde a noite anterior, quando aquela mensagem anônima com a foto de nós no jardim chegou ao meu e-mail, qualquer menção a “mudanças” me deixava com o estômago contorcido.Levantei-me da poltrona do escritório e desci para a sala de estar principal, como ele havia pedido. Lindalva terminava de arranjar um vaso de lírios sobre a mesa de centro de mármore.— A senhora deseja que eu peça para preparar o almoço, Sra. Luna? — ela perguntou com um sorriso acolhedor.— Por enquanto não, Lindalva, obrigada. O Gabriel está chegando e disse que precisa conversar comigo — respondi, tentando manter a voz firme enquanto me acomodava em um dos sofás.Não se passaram nem dez minutos até que o som característico dos pneus do SUV de Gabriel raspasse no cascalho da entrada social. O som pesado da por
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