Início / Lobisomem / O Alfa Me Rejeitou... Sem Saber Que Eu Era a Rainha da Lua / Capítulo 21 – As Verdades Que Foram Escondidas
Capítulo 21 – As Verdades Que Foram Escondidas

A gargalhada desapareceu tão rapidamente quanto surgiu.

O vale voltou ao silêncio.

Mas não era um silêncio de paz.

Era o silêncio que antecedia uma tempestade.

As águas do lago sagrado continuavam agitadas.

As árvores permaneciam curvadas.

O enorme círculo negro ainda girava lentamente acima das montanhas, como um olho observando tudo o que acontecia.

Ninguém ousou falar durante vários segundos.

Foi Mirena quem rompeu o silêncio.

— Chega.

Sua voz ecoou firme.

Todos voltaram os olhos para a antiga sacerdotisa.

Ela respirou profundamente.

— Estamos cometendo o mesmo erro de vinte e cinco anos atrás.

Cassian cruzou os braços.

— E qual seria?

— Continuar escondendo a verdade.

Selene permaneceu imóvel.

Seu olhar encontrou o de Mirena.

As duas pareciam compreender algo que ninguém mais entendia.

Elara percebeu.

— Vocês sabem quem é essa voz.

Mirena respondeu sem hesitar.

— Sabemos.

A jovem deu um passo à frente.

— Então contem.

Chega de segredos.

Chega de respostas pela metade.

Sua voz carregava firmeza.

Ela olhou para Aiden.

Depois para Nythar.

Para Selene.

Por fim, para Cassian.

— Desde que descobri quem realmente sou, cada pessoa me entrega apenas um pedaço da história.

Minha mãe escondia algo.

Minha avó escondia algo.

Vocês escondem algo.

Como esperam que eu proteja um reino que nem sequer conheço?

As palavras atingiram todos.

Até Cassian permaneceu em silêncio.

Mirena assentiu lentamente.

— Você tem razão.

Nythar fechou os olhos.

— Finalmente.

A velha sacerdotisa caminhou até o centro do vale.

Levantou ambas as mãos.

Runas prateadas surgiram ao redor dela.

A luz espalhou-se pelo chão, formando um enorme círculo.

— Nenhuma mentira poderá ser pronunciada dentro deste selo.

Magnus deu um passo para trás.

Cassian observou as runas.

Reconhecia aquela magia.

Era um antigo juramento da Lua Negra.

Quem permanecesse dentro do círculo seria incapaz de mentir.

Poderia permanecer calado.

Mas jamais inventar uma verdade.

Mirena olhou para todos.

— Entrem.

Lucien foi o primeiro.

Depois Seraphine.

Cedric.

Orion.

Kael entrou logo em seguida.

Após alguns segundos de hesitação, Selene caminhou para dentro do círculo.

Cassian sorriu discretamente.

— Interessante.

Também entrou.

Magnus tentou acompanhá-lo.

Mas Selene ergueu a mão.

— Você fica.

O comandante estranhou.

— Minha Rainha...

— Esta conversa não lhe pertence.

Magnus recuou.

Aiden entrou por último.

Nythar permaneceu do lado de fora.

Seu tamanho tornava impossível ocupar o círculo.

Mesmo assim, sua presença bastava.

Mirena respirou fundo.

— Agora...

Vamos reconstruir a verdadeira história.

Ela voltou-se para Elara.

— A primeira verdade.

Aurora nunca foi Rainha da Lua Negra.

O choque espalhou-se entre todos.

Elara arregalou os olhos.

— O quê?

Mirena confirmou.

— Ela recusou a coroação.

Kael franziu a testa.

— Mas todos dizem...

— Todos repetem uma mentira.

Selene completou a frase.

— Aurora jamais aceitou a coroa.

Elara sentia o coração acelerar.

— Então quem governava?

Mirena respondeu.

— Lyra.

Mesmo gravemente doente, permaneceu como rainha até o último dia.

Aurora era apenas sua sucessora.

Preparava-se para assumir.

Mas nunca chegou a fazê-lo.

Elara fechou os olhos por um instante.

Mais uma lembrança encaixava-se no lugar.

Era por isso que Lyra ainda aparecia usando a coroa nas memórias.

Aurora nunca a utilizava.

A incoerência finalmente desaparecia.

Mirena prosseguiu.

— Segunda verdade.

Aurora não morreu defendendo um trono.

Morreu protegendo uma criança.

Todos olharam para Elara.

A sacerdotisa sorriu com tristeza.

— Você.

Elara sentiu um nó na garganta.

— Ela sabia que iria morrer?

Selene respondeu dessa vez.

Sua voz era baixa.

Sem qualquer ironia.

— Sim.

O silêncio caiu novamente.

Cassian permaneceu imóvel.

Parecia revisitar lembranças que preferia esquecer.

Selene continuou.

— Aurora descobriu semanas antes que havia um espião entre os Guardiões.

Mas nunca conseguiu descobrir sua identidade.

Ela sabia apenas que o ataque aconteceria.

Então preparou um plano.

Aiden abaixou a cabeça.

— Foi quando ela nos afastou do palácio.

Mirena confirmou.

— Ela enviou cada Guardião para uma missão diferente.

Todos acreditaram que protegiam as fronteiras.

Na verdade...

Ela estava impedindo que morressem ao lado dela.

Nythar soltou um longo suspiro.

— Aurora sempre carregou o peso sozinha.

Elara voltou-se lentamente para Cassian.

— Você realmente ordenou a morte da minha mãe?

O antigo Guardião demorou a responder.

O selo impedia qualquer mentira.

Ele respirou profundamente.

— Não.

Todos congelaram.

Magnus, do lado de fora do círculo, arregalou os olhos.

Kael encarou Cassian.

— O quê?

Cassian fechou os olhos.

— Invadi o palácio.

Lutei contra Aurora.

Mas...

Quando cheguei ao salão principal...

Ela já estava ferida.

Mirena apertou os punhos.

Selene permaneceu em absoluto silêncio.

Elara deu mais um passo.

— Quem fez isso?

Cassian respondeu sem desviar o olhar.

— Não sei.

O selo permaneceu iluminado.

Nenhuma reação.

Ele dizia a verdade.

Uma onda de espanto percorreu todos os presentes.

Durante décadas...

Todos acreditaram que Cassian havia matado Aurora.

Mas ele não podia mentir dentro daquele círculo.

Elara sentiu o chão desaparecer sob seus pés.

— Então...

Quem matou minha mãe?

Ninguém respondeu.

Porque ninguém sabia.

Kael respirou lentamente.

Havia outra pergunta que o consumia.

Olhou diretamente para Selene.

— Você realmente queria destruir a Lua Negra?

Ela encontrou seu olhar.

— Não.

O selo permaneceu brilhando.

Outra verdade.

Lucien franziu a testa.

— Então por que lutou contra eles?

Selene respondeu.

— Porque acreditava que Lyra destruiria todas as alcateias.

— Ela jamais faria isso.

— Eu sei.

Agora sei.

Mas naquela época...

Recebi informações falsas.

Mirena fechou os olhos.

— Assim como Kael recebeu.

O Supremo do Norte permaneceu imóvel.

A frase o atingiu profundamente.

Era exatamente isso.

Ele também tomara decisões acreditando em mentiras.

Selene olhou para Elara.

— Somos mais parecidas do que imagina.

Nós duas fomos manipuladas.

A diferença...

É que eu demorei décadas para perceber.

Aiden aproximou-se do centro do círculo.

— Então resta apenas uma pergunta.

Todos voltaram os olhos para ele.

— Quem criou todas essas mentiras?

O selo permaneceu brilhando.

Mas ninguém respondeu.

Não por escolha.

Porque realmente não sabiam.

Mirena olhou para Selene.

Selene olhou para Cassian.

Cassian olhou para Nythar.

Por fim...

O enorme dragão falou.

Sua voz fez o vale estremecer.

— Eu conheço apenas um ser capaz de manipular todos vocês ao mesmo tempo.

Elara levantou lentamente a cabeça.

— Quem?

Nythar fitou o círculo negro no céu.

— O Oráculo.

Lucien franziu a testa.

— Pensei que fosse apenas uma lenda.

Nythar negou.

— Esse foi exatamente o erro que ele queria que todos cometessem.

Mirena respirou fundo.

— O Oráculo nunca governou exércitos.

Nunca usou uma coroa.

Nunca empunhou uma espada.

Ele apenas sussurrava no ouvido das pessoas certas.

Selene completou.

— Fazia cada rei acreditar que sua decisão era própria.

Cassian apertou os punhos.

Sua expressão demonstrava vergonha.

— Passei séculos acreditando que minhas escolhas eram minhas.

Talvez...

Nunca tenham sido.

Elara olhou ao redor.

Cada revelação desmontava uma mentira construída durante décadas.

Kael não era o verdadeiro responsável por toda a tragédia.

Selene não desejava conquistar o mundo.

Cassian não assassinara Aurora.

Aurora nunca fora coroada.

As peças finalmente começavam a se encaixar.

Então Mirena voltou-se para Elara.

— Agora existe apenas uma maneira de descobrir quem matou sua mãe.

A jovem prendeu a respiração.

— Como?

A sacerdotisa apontou para o brilho prateado que escapava das montanhas.

— Abrindo o Cofre Real.

Porque Aurora deixou sua última memória intacta.

E nela...

Está o rosto do verdadeiro assassino.

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