Início / Lobisomem / O Alfa Me Rejeitou... Sem Saber Que Eu Era a Rainha da Lua / Capítulo 18 – A Mulher Que Todos Acreditavam Estar Morta
Capítulo 18 – A Mulher Que Todos Acreditavam Estar Morta

O vale inteiro voltou a mergulhar em silêncio.

Nem mesmo o enorme dragão movia um único músculo.

Todos observavam a figura que caminhava lentamente pela trilha estreita entre as montanhas.

Ela não demonstrava qualquer pressa.

Cada passo parecia seguir o ritmo do próprio vento.

As folhas secas afastavam-se de seus pés antes mesmo que ela as tocasse.

Os galhos das árvores inclinavam-se discretamente em sua direção.

Era como se a natureza reconhecesse sua presença.

Elara sentiu um arrepio percorrer todo o corpo.

Não havia medo.

Era outra sensação.

Algo parecido com saudade.

Mas isso não fazia sentido.

Nunca havia visto aquela mulher.

Os cabelos prateados desciam até a cintura.

O vestido azul-escuro era simples, sem joias ou bordados que denunciassem riqueza.

Ainda assim, existia uma elegância impossível de ignorar.

Seus olhos eram de um tom azul muito claro.

Tão claro que lembravam gelo iluminado pela lua.

Quando ela finalmente parou diante do campo de batalha, olhou demoradamente para Elara.

Depois para Nythar.

Em seguida, seus olhos encontraram os de Cassian.

O antigo Guardião perdeu o sorriso.

A mudança foi tão repentina que até Magnus percebeu.

— Mestre...

Cassian respirou lentamente.

— Então você sobreviveu.

A mulher inclinou levemente a cabeça.

— Lamento desapontá-lo.

A voz era calma.

Serena.

Mas carregava uma autoridade natural.

Lucien estreitou os olhos.

Parecia procurar alguma lembrança.

Seraphine levou a mão até a boca.

As lágrimas surgiram antes mesmo que conseguisse falar.

— Não...

Não pode ser...

Evelyn virou-se imediatamente.

— Você a conhece?

A anciã deu um passo à frente.

Depois outro.

Seu corpo tremia.

— Durante vinte e cinco anos...

Eu rezei para estar errada.

A mulher sorriu com tristeza.

— Você nunca deixou de acreditar.

Seraphine não conseguiu conter as lágrimas.

— Mirena...

O nome espalhou-se pelo vale.

Cedric arregalou os olhos.

Orion olhou sem entender.

Lucien permaneceu completamente imóvel.

Até Kael pareceu reconhecer aquele nome.

Elara franziu a testa.

— Quem é ela?

Aiden respondeu antes que qualquer outro pudesse fazê-lo.

Sua voz carregava respeito.

E uma profunda culpa.

— A antiga Suma Sacerdotisa da Lua Negra.

A responsável por coroar todas as rainhas.

Elara voltou a olhar para a desconhecida.

Mirena.

Ela era a mulher que havia colocado a coroa sobre a cabeça de Aurora.

A guardiã dos antigos rituais.

Mas isso levantava outra pergunta.

— Disseram que você morreu.

Mirena sorriu.

— Sim.

Disseram.

Cassian cruzou os braços.

— Porque foi isso que eu permiti que todos acreditassem.

Ela sustentou seu olhar.

— Você tentou me matar.

Mas subestimou algumas pessoas.

Nythar soltou um leve rugido.

— Nunca conseguiu enxergar além da própria ambição.

Cassian ignorou o comentário.

Continuava observando Mirena.

— Imaginei que jamais deixaria o Templo Esquecido.

— Também imaginei.

Ela desviou os olhos para Elara.

— Até sentir que a herdeira havia despertado.


Enquanto todos acompanhavam aquela conversa, Elara percebeu algo estranho.

A marca em seu pulso havia mudado novamente.

As antigas runas negras agora possuíam pequenos traços azul-prateados.

Ela passou delicadamente os dedos sobre a pele.

A marca parecia pulsar.

Mirena percebeu.

— Posso ver?

Elara hesitou por um instante.

Depois estendeu o braço.

Assim que a sacerdotisa tocou sua pele...

As runas iluminaram-se.

Um círculo de luz expandiu-se ao redor das duas.

Não era agressivo.

Transmitia calor.

Conforto.

Mirena fechou os olhos.

Um sorriso emocionado surgiu em seus lábios.

— Aurora conseguiu.

Seraphine aproximou-se.

— Conseguiu o quê?

A sacerdotisa abriu lentamente os olhos.

— Esconder completamente o Coração da Eternidade.

Cassian permaneceu em silêncio.

Mas seu olhar tornou-se ainda mais atento.

Mirena continuou.

— Durante anos vocês procuraram um cristal.

Depois uma arma.

Depois um templo.

Nunca imaginaram que Aurora transformaria a própria filha em seu último cofre.

Magnus franziu a testa.

— Então basta arrancar esse poder dela.

Antes que alguém respondesse, Mirena voltou-se para ele.

Seu olhar tornou-se firme.

— Não.

O comandante da Lua Rubra sorriu com arrogância.

— Existe alguma magia impossível de quebrar?

— Existe.

— Qual?

Ela respondeu sem elevar a voz.

— Aquela construída com amor.

O sorriso desapareceu lentamente do rosto de Magnus.


Kael permanecia observando tudo em silêncio.

Cada nova revelação fazia aumentar o peso que carregava.

Sua mãe.

A antiga aliança.

Aurora.

Agora Mirena.

Era como se sua família escondesse uma parte da história que jamais lhe fora contada.

Lucien aproximou-se discretamente.

— Está lembrando de alguma coisa?

Kael confirmou.

— Minha mãe falava de uma sacerdotisa.

Nunca dizia o nome.

Apenas contava que existia uma mulher capaz de conversar com a própria Deusa da Lua.

Lucien voltou o olhar para Mirena.

— Acho que ela encontrou essa mulher.


Mirena caminhou lentamente até Nythar.

Estendeu a mão.

O enorme dragão abaixou a cabeça imediatamente.

Ela acariciou suas escamas com carinho.

Como se reencontrasse um velho amigo.

— Você continua tão impaciente quanto antes.

O dragão soltou um som grave que lembrava uma breve risada.

— E você continua demorando demais para aparecer.

Elara observava aquela cena fascinada.

Era difícil imaginar alguém tratando um dragão daquela maneira.

Nythar parecia respeitá-la profundamente.

Mirena voltou-se novamente para a jovem.

— Há algo que preciso entregar a você.

Retirou lentamente um pequeno objeto escondido sob o manto.

Era uma chave.

Muito antiga.

Feita de prata escurecida.

Seu formato lembrava uma lua crescente.

No centro havia sete pequenas pedras negras.

Assim que Elara viu a chave...

Uma lembrança atravessou sua mente.

Aurora ajoelhada diante dela.

As mãos tremendo.

As lágrimas escorrendo silenciosamente.

— Quando chegar o dia...

Entreguem isto à minha filha.

Ela saberá o que fazer.

A lembrança desapareceu tão rápido quanto surgiu.

Elara levou a mão à cabeça.

— Eu ouvi a voz dela...

Mirena sorriu.

— Porque essa memória já estava pronta para despertar.

A sacerdotisa colocou a chave na palma da mão da jovem.

No instante em que seus dedos tocaram o metal, a chave começou a emitir um brilho intenso.

As sete pedras negras transformaram-se em cristais prateados.

A espada da Lua Negra vibrou.

A marca em seu pulso brilhou.

E, ao longe, algo respondeu.

Um som profundo.

Metálico.

Como o de enormes engrenagens voltando a funcionar depois de séculos.

Todos olharam para as montanhas.

A terra começou a tremer.

Pequenas rachaduras apareceram entre as pedras.

As árvores balançavam sem que houvesse vento.

Cedric segurou firme o machado.

— O que está acontecendo?

Mirena fechou os olhos por um instante.

Quando voltou a abri-los, havia preocupação em seu rosto.

— O Cofre Real acabou de despertar.

Cassian deu um passo à frente.

Seu semblante havia perdido toda a tranquilidade.

— Não...

Ela não deveria possuir a chave.

Mirena encarou o antigo Guardião.

— Aurora nunca deixou nada ao acaso.

Cassian apertou os punhos.

Pela primeira vez desde que aparecera diante deles, parecia verdadeiramente inquieto.

— Se o Cofre for aberto...

Mirena completou sua frase.

— Toda a verdade sobre a queda da Lua Negra será revelada.

O vale voltou a silenciar.

Mas, escondido entre as árvores, Darius observava tudo sem ser notado.

Seu olhar estava fixo na chave.

Um sorriso frio surgiu lentamente em seu rosto.

Ele levou discretamente a mão até a espada.

Não pretendia enfrentar um exército.

Precisava apenas de um único instante.

Um momento de distração.

Porque recebera uma ordem muito clara.

Não matar Elara.

Mas roubar a chave antes que ela descobrisse o que existia dentro do Cofre Real.

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