Mundo de ficçãoIniciar sessãoAlina Ivanov não fugiu por impulso. Ela fugiu porque entendeu que, se ficasse… não sobreviveria. Presa por anos a um relacionamento onde controle, medo e violência se tornaram rotina, ela cruza o oceano carregando apenas o essencial e o pavor constante de ser encontrada pelo homem que nunca aceita perder. Desesperada, Alina liga para a única pessoa em quem ainda confia: Emma Carter. Amiga, confidente… e irmã de Alexander Carter. Sem saída, Emma recorre a ele. Um bilionário, frio, intocável. Um homem que não se envolve… e não perde. A princípio, Alexander não tem interesse em ajudar. Até descobrir de quem Alina estava fugindo. Viktor Volkov. Seu rival direto. Seu inimigo declarado. O homem com quem já travou guerras silenciosas por poder e dinheiro e que nunca aceitou perder para ele. Nesse momento, tudo muda. A decisão deixa de ser ajuda… e se torna escolha. Um casamento por contrato. Uma esposa perfeita. Uma forma de proteger Alina… e, ao mesmo tempo, enfrentar o único homem que Alexander nunca ignorou. Mas há um problema. Alina não é uma peça nesse jogo. E, aos poucos, o que começou como estratégia se transforma em algo muito mais perigoso… porque ela não foge dele. E ele não consegue mais se afastar dela. Enquanto isso, Viktor observa. Frio. Paciente. Obcecado. E quando descobre que Alina agora está ao lado do homem que ele mais odeia… a guerra deixa de ser sobre negócios. E se torna pessoal. Agora, Alina não luta apenas para se manter livre. Ela luta para não se perder no único homem capaz de protegê-la… e destruí-la da forma mais perigosa possível: Fazendo com que ela o ame.
Ler mais“Algumas mulheres fogem para sobreviver… outras fogem porque entendem que, se ficarem, deixam de existir.”
Naquela noite, Alina Ivanov entendeu com uma clareza dolorosa que Viktor Volkov não era apenas perigoso, não era apenas frio e não era apenas um homem acostumado a conseguir tudo o que desejava, porque havia uma diferença enorme entre conviver com alguém difícil e permanecer ao lado de alguém que não reconhecia limites quando decidia avançar.
E foi justamente essa ausência de fronteiras que a fez compreender que ficar ao lado dele já não era tentar salvar uma relação quebrada, nem insistir em uma história que ainda pudesse ter alguma chance de redenção, mas aceitar, aos poucos, desaparecer dentro da vontade de um homem que confundia amor com posse e silêncio com permissão.
A neve caía sobre Moscou naquela madrugada, cobrindo as ruas com uma camada branca e silenciosa que abafava o som da cidade, enquanto, no apartamento no trigésimo andar, o luxo excessivo das paredes de vidro, dos móveis impecáveis e da vista iluminada não conseguia esconder o clima pesado que permanecia preso em cada canto daquele lugar.
Alina estava sentada no chão do banheiro, com as costas apoiadas no mármore frio e as pernas recolhidas contra o corpo, tentando controlar a respiração enquanto o corpo ainda reagia ao que havia acontecido horas antes, como se cada músculo dela tivesse entendido o perigo antes mesmo que a mente conseguisse organizar tudo com clareza.
Os dedos tremiam sobre o tecido do roupão, a garganta permanecia apertada e os olhos ardiam de tanto segurar lágrimas que ela não queria derramar, porque havia algo humilhante em chorar naquele banheiro enorme, dentro daquele apartamento perfeito, enquanto o homem responsável por fazê-la se sentir daquele jeito dormia tranquilamente no quarto como se nada tivesse acontecido.
O reflexo no espelho à sua frente parecia distante, não exatamente estranho, mas deslocado o suficiente para que ela demorasse alguns segundos para se reconhecer completamente, como se estivesse observando uma mulher que ainda tinha o seu rosto, os seus olhos e a sua boca, mas já não carregasse a mesma segurança de antes.
Quando levou a mão ao rosto com cuidado, o simples toque fez sua respiração falhar, não pela dor em si, mas pela lembrança que retornou de forma fragmentada, construída mais por sensações do que por imagens, marcada pelo impacto repentino, pelo desequilíbrio, pela mão dele segurando seu braço com força demais e por um som seco que ainda parecia ecoar dentro dela.
A discussão não tinha sido tão diferente das outras, e talvez fosse exatamente isso que tornasse tudo mais assustador, porque os motivos eram sempre os mesmos, repetidos tantas vezes que já tinham se tornado previsíveis demais, quase automáticos, parte de uma rotina que ela já não conseguia interromper sem pagar algum preço.
— Você acha que pode me desafiar? — a voz de Viktor ainda permanecia dentro da cabeça dela, baixa, controlada e fria demais para alguém que dizia estar apenas furioso. — Não teste a minha paciência, Alina, porque você sabe do que eu sou capaz.
Alina fechou os olhos por um instante e engoliu em seco, sentindo o estômago embrulhar enquanto a lembrança daquela voz se misturava ao modo como ele havia olhado para ela depois, não com desespero, culpa ou arrependimento, mas com uma calma calculada que a fez entender algo muito pior.
Viktor não perdia o controle.
Ele escolhia quando agir.
Naquela noite, porém, algo tinha sido diferente, não exatamente pelo gesto em si, embora aquilo já fosse grave demais, mas pelo olhar que veio depois, mais longo, mais frio e mais avaliador, como se ele estivesse medindo até onde podia ir sem ser impedido, como se as consequências, no fim, simplesmente não importassem.
E o mais perturbador não era apenas o que tinha acontecido.
Era perceber que, para ele, aquilo não significava absolutamente nada.
Alina abriu os olhos novamente, encarou o próprio reflexo e sentiu uma compreensão silenciosa se instalar dentro dela, firme demais para ser ignorada e dolorosa demais para permitir qualquer desculpa.
Viktor acreditava que tinha direito sobre ela.
Sobre suas escolhas.
Sobre sua permanência.
Sobre o quanto ela podia suportar.
E talvez, se ela continuasse ali, até sobre quanto tempo ainda teria.
Apoiou as mãos contra a parede para se levantar, ainda sentindo o corpo doer a cada movimento como um lembrete do que tinha acontecido, mas mal conseguiu dar o primeiro passo antes de precisar se apoiar com as duas mãos na pia, porque as pernas falharam imediatamente.
A visão escureceu por alguns segundos, uma náusea violenta subiu pelo estômago e Alina precisou fechar os olhos com força enquanto tentava recuperar o equilíbrio, mantendo os dedos agarrados à borda fria do mármore como se aquela fosse a única coisa capaz de impedi-la de cair outra vez.
Ela permaneceu imóvel durante alguns instantes, respirando com dificuldade, esperando que a tontura passasse e tentando não pensar no quanto odiava se sentir fraca, no quanto odiava que ele tivesse conseguido transformar até o próprio corpo dela em um lugar inseguro.
Quando finalmente abriu os olhos, o reflexo no espelho parecia ainda mais distante do que antes, mas havia uma diferença pequena e decisiva naquele olhar.
Medo ainda existia.
Dor também.
Mas a hesitação tinha acabado.
Alina se aproximou da porta em silêncio, encostando o rosto contra a madeira por alguns segundos apenas para ter certeza de que não havia nenhum movimento do outro lado, e só então saiu do banheiro com passos lentos, atravessando o corredor do apartamento como se cada centímetro pudesse denunciar sua presença.
Ao chegar à porta do quarto, parou.
Viktor estava deitado na cama, dormindo de lado, com a respiração tranquila, uma das mãos apoiada sobre o travesseiro e a expressão serenapara um homem que havia destruído alguma coisa dentro dela poucas horas antes.
Alina permaneceu ali, observando-o por alguns segundos, tentando encontrar alguma explicação que justificasse o contraste entre o homem admirado pelo mundo e aquele que existia quando ninguém estava olhando, mas não havia lógica, amor ou lembrança boa suficiente para sustentar aquilo.
O homem que dormia naquela cama não parecia arrependido.
Não parecia perturbado.
Não parecia sequer consciente de que tinha atravessado uma linha que jamais deveria ter sido tocada.
O desconforto se instalou em seu estômago de forma imediata, mas, dessa vez, não veio apenas da dor ou do medo, veio da certeza, porque permanecer significava aceitar algo que ela finalmente compreendia que não teria limites.
Sem fazer barulho, Alina se afastou da porta e foi até o closet, abrindo uma pequena mala com movimentos rápidos e cuidadosos, colocando algumas roupas, um casaco grosso, documentos, o passaporte e o envelope com dinheiro que havia guardado meses antes em uma gaveta escondida, exatamente porque uma parte dela sempre soube que aquela noite poderia chegar.
O celular vibrou sobre a mesa de cabeceira, e o som, apesar de baixo, pareceu alto demais dentro daquele apartamento silencioso.
Alina congelou imediatamente.
Olhou para Viktor, ainda imóvel na cama, depois pegou o aparelho com rapidez, segurando-o contra o peito por um segundo antes de ver o nome de Emma iluminando a tela.
“Se ele fizer qualquer coisa com você, venha para a América. Eu ajudo você.”
A frase apareceu simples, direta, quase igual às várias vezes em que Emma havia dito algo parecido nas últimas semanas, mas, naquele momento, aquelas palavras atingiram Alina com uma força absurda, porque não pareciam apenas uma oferta de ajuda.
Pareciam uma saída.
O peito dela apertou, não exatamente de medo, mas de algo que ela quase não reconhecia mais.
Alívio.
Alina digitou com os dedos trêmulos.
“Emma…”
Parou por alguns segundos, mordendo o lábio inferior enquanto tentava encontrar coragem para escrever o resto.
“Eu preciso ir embora.”
A resposta veio quase imediata.
“Meu Deus. O que ele fez?”
Alina fechou os olhos, respirou fundo, sentindo o ar entrar de forma irregular nos pulmões, e respondeu:
“Ele passou dos limites.”
Dessa vez, Emma não perguntou mais nada.
Talvez porque tivesse entendido e porque, no fundo, sempre soubesse que isso aconteceria.
A resposta veio curta, firme e imediata.
“Pegue o primeiro voo. Eu resolvo tudo. Não olhe para trás.”
Alina leu a mensagem três vezes, segurando o telefone com mais força do que o necessário, e, pela primeira vez em muito tempo não teve medo. Ela sabia que precisava fugir, caso contrário ele a mataria.
Fechou a mala.
Apagou algumas conversas.
Desligou a localização.
Vestiu o casaco mais grosso que encontrou.
E saiu.
Uma hora depois, Alina atravessava o aeroporto de Sheremetyevo com passos rápidos, os cabelos parcialmente escondidos sob o capuz do casaco e o passaporte apertado entre os dedos, enquanto olhava para trás a todo instante com a sensação terrível de que Viktor poderia surgir a qualquer momento, vindo em sua direção com aquela calma perigosa que sempre assustava mais do que qualquer grito.
O coração batia acelerado, a respiração não acompanhava o ritmo dos passos e as mãos estavam tão frias que ela mal conseguia segurar a passagem, mas, mesmo com medo, não parou.
A voz no alto-falante anunciou o embarque para Nova York, e Alina sentiu os olhos arderem imediatamente, porque aquela cidade, que até então parecia apenas um nome distante e improvável, de repente se tornou a única chance real de continuar viva.
Ela apertou o passaporte contra o peito, fechou os olhos por um instante e deu o próximo passo.
Alina não sabia o que encontraria do outro lado. Não sabia se estaria segura. Não sabia se Emma conseguiria ajudá-la de verdade.
Mas sabia que ficar em Moscou não era uma opção, porque, se permanecesse ao lado de Viktor Volkov, ele acabaria matando não apenas o corpo dela, mas tudo o que ainda restava da mulher que ela tentava salvar.
Enquanto o avião decolava, deixando Moscou para trás sob a escuridão e a neve, Viktor Volkov abriu os olhos.
Por alguns segundos, permaneceu imóvel, olhando para o teto do quarto com uma expressão vazia, até perceber que o lado da cama estava frio demais.
Ele virou o rosto lentamente.
O espaço ao lado dele estava vazio.
Viktor se levantou sem pressa, vestiu a calça de moletom escura que estava sobre a poltrona e caminhou pelo apartamento em silêncio, observando cada detalhe com uma atenção calculada até parar diante do closet aberto.
A ausência da pequena mala foi suficiente.
Ele não gritou.
Não quebrou nada.
Não perdeu o controle.
Apenas ficou parado por alguns segundos, com a mandíbula travada e os olhos frios fixos no espaço vazio, enquanto um sorriso quase imperceptível surgia no canto de sua boca.
Alina tinha ido embora. E, na mente de Viktor, aquilo não era uma escolha.
Era uma afronta.
Ele pegou o celular, discou para um número conhecido e raramente usado, e esperou apenas dois toques antes de falar com uma calma que tornava cada palavra ainda mais perigosa.
— Encontrem-na.
Houve silêncio do outro lado.
Viktor caminhou até a janela, observando Moscou coberta de neve sob seus pés, e completou:
— Nem que seja preciso virar o mundo inteiro.
Depois desligou, colocou o celular sobre a mesa e encarou a tela apagada por alguns segundos, como se já pudesse ver o rosto dela refletido ali.
O sorriso frio voltou aos seus lábios.
— Você pode correr o quanto quiser, Alina… — ele disse baixo, com a voz tranquila demais para alguém que acabara de ser deixado. — Mas eu sempre encontro o que é meu.
E, naquele momento, enquanto Alina cruzava o céu em direção a Nova York, sem saber se estava escapando ou apenas adiando uma guerra, deixou de ser apenas uma mulher fugindo para sobreviver.
Tornou-se o alvo de um homem que nunca aceitava perder.
“
“O pior tipo de perseguição é aquela que continua mesmo depois da fuga.”O problema de fugir de homens como Viktor Volkov nunca foi a distância, era o fato de que eles confundiam amor com posse. Alina ainda tentava ignorar o efeito das palavras de Emma quando o celular vibrou sobre a bancada. Número desconhecido.O corpo dela travou imediatamente, o sorriso desapareceu do seu rosto, enquanto os olhos permaneciam presos na tela iluminada. Porque Viktor fazia aquilo.Ligava de números desconhecidos, permanecia em silêncio, esperava ela entrar em pânico.Os dedos dela hesitaram antes de pegar o aparelho e Emma observava tudo em silêncio agora.Alina levou o celular lentamente até o ouvido.— Alô…?Silêncio.O ar pareceu desaparecer dos pulmões imediatamente. Porque havia alguém do outro lado da linha, era possível ouvir o som da respiração.Os dedos apertaram o celular com força enquanto o coração começava a bater rápido demais dentro do peito.— Quem está falando? — perguntou outra v
“Alguns homens fogem do amor até encontrar alguém que torna impossível continuar correndo.”O maior problema de homens emocionalmente indisponíveis nunca foi a incapacidade de amar, mas o medo que sentiam quando finalmente encontravam alguém importante demais para perder. Já fazia alguns dias desde o casamento civil entre Alina e Alexander, e, pela primeira vez desde que chegou em Nova York, ela começava a sentir que talvez realmente pudesse reconstruir a própria vida longe da Rússia e de tudo o que tinha deixado para trás.O apartamento estava silencioso naquela manhã, envolvido por uma tranquilidade incomum que Alina ainda não tinha se acostumado completamente a sentir.Emma organizava o café da manhã enquanto falava sobre Brandon, investidores e compromissos sociais da semana, mas Alina apenas escutava em silêncio enquanto segurava a xícara quente entre as mãos e observava a neve caindo do lado de fora das enormes janelas do apartamento.Porque, depois de dias vivendo sob o mesmo
“Homens como Viktor Volkov não fazem ameaças vazias… eles transformam obsessão em perseguição.”O problema de homens como Viktor Volkov nunca foi o poder, era a incapacidade de aceitar que alguém pudesse escapar dele.Alexander Carter raramente se surpreendia com alguma coisa dentro do próprio escritório, porque homens acostumados a controlar impérios aprendiam cedo que perder a calma era o primeiro passo para perder poder, mas, naquela noite, enquanto observava os relatórios espalhados sobre a mesa de vidro escura da sala de reuniões privativa, o silêncio pesado do ambiente já não tinha relação com negócios.Tinha relação com Viktor Volkov.O nome permanecia estampado no tablet diante dele junto de fotografias, registros migratórios incompletos, movimentações financeiras suspeitas e relatórios discretos preparados pela equipe de segurança da Carter Global.Alexander permaneceu imóvel por alguns segundos, observando as fotografias espalhadas sobre a mesa antes de apoiar as duas mãos n
“Homens realmente perigosos não precisam provar poder… porque todos ao redor já aprenderam a sobreviver perto deles.”Alexander Carter não construiu um império sendo gentil, construiu aprendendo exatamente onde pressionar até os outros quebrarem.O prédio da Carter Global dominava parte da Lexington Avenue com a imponência silenciosa típica de empresas que haviam deixado de representar apenas dinheiro para se tornarem centros de influência capazes de movimentar mercados inteiros, derrubar concorrentes e alterar destinos empresariais com uma única assinatura.Talvez fosse exatamente por isso que o ambiente inteiro parecia mudar discretamente sempre que Alexander Carter atravessava aquelas portas.Ninguém precisava anunciar sua chegada, porque os funcionários percebiam imediatamente quando o CEO atravessava o lobby. Conversas diminuíam de volume, assistentes endireitavam a postura, celulares desapareciam das mãos e até executivos acostumados a lidar com pressão pareciam reorganizar aut





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