Mundo de ficçãoIniciar sessãoLia Santos só queria salvar a mãe. Desempregada e sem dinheiro para pagar uma cirurgia urgente, ela aceita a proposta mais absurda da sua vida: tornar-se, por contrato, esposa de Rafael Montenegro, o herdeiro cego de uma das famílias mais ricas do país. Frio, poderoso e cercado de segredos, Rafael precisa de um casamento para proteger sua fortuna e manter o controle do império da família. Lia deveria apenas fingir ser sua esposa por seis meses. Nada de sentimentos. Nada de perguntas. Principalmente sobre o acidente que tirou a visão dele. Mas, dentro da mansão Montenegro, nada é tão simples quanto parece. A ex-noiva de Rafael a odeia, a família desconfia dela e o próprio Rafael parece perceber coisas que um homem cego não deveria perceber. Quanto mais Lia tenta manter distância, mais se envolve com o homem que comprou sua presença, mas talvez esteja escondendo uma verdade ainda maior. Entre contrato, desejo, mentiras e ameaças, Lia terá que descobrir se Rafael é sua salvação… ou o maior perigo da sua vida.
Ler maisNa sexta-feira, entreguei a primeira versão do protocolo de contingência quarenta minutos antes do prazo e passei os quarenta seguintes tentando não abrir o arquivo novamente para alterar coisas que já tinham sido discutidas três vezes. O documento era simples no papel: qualquer mudança de fornecedor, produto, disponibilidade ou condição de acesso deveria acionar uma sequência de verificação antes que o problema chegasse à família. Confirmar impacto clínico, mapear alternativas, identificar barreiras práticas e designar alguém responsável pelo acompanhamento até que a transição estivesse concluída. Na prática, cada uma dessas etapas podia envolver hospital, posto de saúde, farmácia, assistência social, transporte e pessoas que não tinham obrigação nenhuma de conversar entre si. Marcelo dizia que eu havia criado um protocolo de quatro páginas para obrigar sistemas diferentes a se telefonarem. Eu respondia que, se funcionasse, já seria uma revolução.Beatriz entrou na sala pouco depois
Na manhã seguinte à nossa primeira discussão séria sobre aquilo que não poderíamos contar um ao outro, Rafael acordou antes de mim e permaneceu alguns minutos deitado sem pegar o celular, sem procurar o relógio e sem fazer qualquer um dos movimentos que normalmente anunciavam que seu dia já havia começado. Eu sabia que estava acordado porque sua respiração mudara, mas também não falei. A conversa da noite anterior não tinha terminado mal o suficiente para exigir reconciliação, nem bem o bastante para desaparecer depois de algumas horas de sono. Talvez esse fosse exatamente o tipo de conflito que passaríamos a ter dali em diante: nenhum culpado evidente, nenhuma mentira para descobrir, nenhum pedido de desculpas capaz de resolver tudo. Apenas duas pessoas que se amavam e possuíam responsabilidades que, em determinados momentos, precisariam permanecer fechadas uma para a outra.— Está acordada? — perguntou.— Há alguns minutos.— E ficou fingindo?— Você também.Rafael virou de lado na
Capítulo 141A nota sobre a reestruturação da Vittalis foi publicada na segunda-feira às oito da manhã. Eu estava numa reunião da Horizonte quando o celular começou a vibrar sobre a mesa com mensagens de André, Patrícia e até da minha mãe, que aparentemente acompanhava notícias empresariais apenas quando o sobrenome Montenegro aparecia no título. Não abri nenhuma. Rafael havia me contado da decisão na sexta, e eu sabia que a comunicação oficial aconteceria depois que funcionários, sindicatos e autoridades locais fossem informados. O que eu não sabia era que, menos de meia hora depois da publicação, aquela decisão chegaria diretamente ao trabalho que eu estava fazendo.Beatriz entrou na sala durante uma apresentação de Júlia e pediu que fizéssemos uma pausa.— Surgiu um problema com uma das unidades da primeira expansão.Marcelo fechou o computador.— Qual?Ela disse o nome do hospital onde havíamos estado na minha primeira viagem.— Suprimentos recebeu uma comunicação da Vittalis na s
Capítulo 140Na segunda-feira, Rafael voltou à fábrica da Vittalis sem a comitiva que o acompanhara na primeira visita. Augusto foi com ele, assim como uma diretora de operações e um representante do jurídico, mas Rafael recusou a apresentação preparada pela administração local e pediu que a primeira reunião fosse com funcionários escolhidos pelos próprios trabalhadores. Quando me contou isso por telefone, eu já estava no aeroporto para minha segunda viagem pela Horizonte e imaginei imediatamente uma sala cheia de pessoas tentando adivinhar se o presidente do grupo havia atravessado o país para anunciar que manteriam seus empregos ou explicar por que os perderiam. Rafael ainda não sabia qual seria a decisão final, mas havia uma coisa que me pareceu diferente nele: não estava procurando ouvir apenas aquilo que pudesse ajudá-lo a justificar a opção que preferia.— Está nervoso? — perguntei.— Muito.— Quer que eu diga alguma coisa útil?— Você sabe alguma coisa útil?— Não.— Então já a





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