Mundo ficciónIniciar sesiónLia Santos só queria salvar a mãe. Desempregada e sem dinheiro para pagar uma cirurgia urgente, ela aceita a proposta mais absurda da sua vida: tornar-se, por contrato, esposa de Rafael Montenegro, o herdeiro cego de uma das famílias mais ricas do país. Frio, poderoso e cercado de segredos, Rafael precisa de um casamento para proteger sua fortuna e manter o controle do império da família. Lia deveria apenas fingir ser sua esposa por seis meses. Nada de sentimentos. Nada de perguntas. Principalmente sobre o acidente que tirou a visão dele. Mas, dentro da mansão Montenegro, nada é tão simples quanto parece. A ex-noiva de Rafael a odeia, a família desconfia dela e o próprio Rafael parece perceber coisas que um homem cego não deveria perceber. Quanto mais Lia tenta manter distância, mais se envolve com o homem que comprou sua presença, mas talvez esteja escondendo uma verdade ainda maior. Entre contrato, desejo, mentiras e ameaças, Lia terá que descobrir se Rafael é sua salvação… ou o maior perigo da sua vida.
Leer másCésar estava parado no corredor, sorrindo, com o crachá da Clínica Santa Helena na mão.Por um segundo, ninguém falou nada. Eu fiquei olhando para aquele pedaço de plástico como se ele fosse uma arma. E talvez fosse. Minha mãe estava lá. Minha mãe, deitada numa cama, esperando uma cirurgia que tinha acabado de ser suspensa por algum joguinho de gente rica entediada.— Que porra é essa? — perguntei.César olhou para mim como se eu tivesse feito graça.— Direta. Gostei.Rafael deu um passo à frente. Pequeno, mas o bastante para o corpo dele ficar entre mim e o irmão. A bengala tocou o chão com um som seco.— Responde.— Calma, Rafael. Você continua dramático.— César.O nome saiu baixo, mas mudou o ar do corredor. Até Augusto pareceu prender a respiração. César ergueu o crachá.— Isso? Encontrei no carro. Ia entregar para Augusto. Vocês já estavam fazendo esse teatro todo.— O bloqueio veio do seu acesso — Augusto disse.César virou para ele, ainda sorrindo.— Meu acesso ou um acesso vi
— A autorização da cirurgia foi suspensa.Por alguns segundos, eu não entendi a frase. Ela entrou no meu ouvido, bateu em alguma parede dentro da minha cabeça e caiu no chão sem fazer sentido. Suspensa. Cirurgia. Minha mãe. Não combinava. Não podia combinar.— Como assim suspensa? — perguntei.Augusto olhou para Rafael antes de responder, e aquilo me deu vontade de arrancar o celular da mão dele e quebrar na parede.— A clínica recebeu uma ordem administrativa para aguardar nova confirmação de pagamento.— Mas o pagamento já estava autorizado — Rafael disse.A voz dele ficou diferente. Não mais baixa e provocante, não mais aquela voz de marido falso me deixando sem ar no closet. Era fria de verdade. Cortante. Quase perigosa.— Estava — Augusto respondeu. — Mas alguém bloqueou a liberação.Meu corpo inteiro gelou.— Minha mãe está lá dentro esperando cirurgia e alguém resolveu brincar com pagamento?— Lia — Rafael falou.— Não, Rafael. Não vem com “Lia” agora. Eu vendi a porra da minha
A mão de Rafael continuava na minha cintura.Não era um toque forte. Não doía, não prendia de verdade, mas me deixava presa do mesmo jeito. Talvez porque todo mundo estivesse olhando. Talvez porque César tinha acabado de beijar minha mão como se eu fosse personagem de novela antiga. Ou talvez porque Rafael Montenegro, o meu marido falso, tinha reagido rápido demais para ser só encenação.— Que hábitos? — perguntei, olhando para César.Ele sorriu, bonito demais, leve demais. O tipo de homem que provavelmente destruía a vida dos outros pedindo desculpa com voz doce.— Meu irmão sempre foi possessivo com o que considera dele.— Então ele vai se decepcionar — respondi. — Eu não sou dele.O silêncio caiu na mesa.Helena ergueu uma sobrancelha. Isadora sorriu como quem tinha acabado de ganhar um presente. César pareceu se divertir. Rafael, não. A mão dele saiu da minha cintura devagar, mas a ausência do toque me deixou mais consciente dele do que antes. Que ódio. O homem tirava a mão e aind
— No jantar você vai ter que parecer apaixonada por mim.Eu fiquei olhando para Rafael como se ele tivesse acabado de pedir para eu voar da janela. Parecer esposa já era um absurdo. Parecer apaixonada era sacanagem. Eu mal tinha aprendido a respirar perto dele sem parecer uma idiota, e agora o homem queria que eu encenasse sentimento na frente de uma família inteira de cobras bem vestidas.— Apaixonada? — repeti. — Você tem noção do tamanho da palhaçada que está pedindo?— Tenho.— E ainda assim pediu?— Pedi.— Que ótimo. Pelo menos é canalha com consciência.Rafael não sorriu, mas a mão dele ainda segurava a minha. Isso me irritava. Não só porque era posse, teatro, contrato. Irritava porque a mão dele era quente. Porque os dedos dele pareciam se encaixar nos meus com uma naturalidade absurda. Porque meu corpo, esse traidor imbecil, não entendia que aquilo era só atuação.Puxei a mão de volta.— Apaixonada eu não sei fingir.— Então finja que me deseja.Engasguei com minha própria sa





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