Mundo de ficçãoIniciar sessãoLia Santos só queria salvar a mãe. Desempregada e sem dinheiro para pagar uma cirurgia urgente, ela aceita a proposta mais absurda da sua vida: tornar-se, por contrato, esposa de Rafael Montenegro, o herdeiro cego de uma das famílias mais ricas do país. Frio, poderoso e cercado de segredos, Rafael precisa de um casamento para proteger sua fortuna e manter o controle do império da família. Lia deveria apenas fingir ser sua esposa por seis meses. Nada de sentimentos. Nada de perguntas. Principalmente sobre o acidente que tirou a visão dele. Mas, dentro da mansão Montenegro, nada é tão simples quanto parece. A ex-noiva de Rafael a odeia, a família desconfia dela e o próprio Rafael parece perceber coisas que um homem cego não deveria perceber. Quanto mais Lia tenta manter distância, mais se envolve com o homem que comprou sua presença, mas talvez esteja escondendo uma verdade ainda maior. Entre contrato, desejo, mentiras e ameaças, Lia terá que descobrir se Rafael é sua salvação… ou o maior perigo da sua vida.
Ler maisCapítulo 138Meu voo atrasou duas horas, o que transformou a promessa de voltar para casa antes das nove numa chegada perto da meia-noite. Quando finalmente atravessei o desembarque, Rafael já havia mandado mensagens suficientes para demonstrar saudade sem poder alegar que estava apenas conferindo logística. Não foi me buscar daquela vez. Eu mesma insistira que seria absurdo ele sair de casa tão tarde depois de passar o dia inteiro em reuniões, e talvez o fato de ter respeitado sem discutir fosse mais uma dessas pequenas mudanças que eu já começava a considerar normais. Ainda assim, quando o carro parou diante de casa e vi a luz acesa na sala, senti uma felicidade desproporcional aos dois dias em que estivéramos separados.Abri a porta tentando não fazer barulho e encontrei Rafael sentado no sofá com o computador apoiado nas pernas. A voz eletrônica do leitor de tela parou assim que entrei.— Você está trabalhando quase meia-noite.— Eu estava esperando.— Isso seria mais romântico se
Capítulo 137A primeira viagem depois de aceitar oficialmente a nova função começou de uma maneira muito menos emocionante do que eu imaginara quando vi meu nome sob o título de Coordenação de Desenvolvimento e Expansão. Meu voo saía às seis e dez da manhã, o carro da Horizonte passaria em casa às quatro e quarenta, e às quatro eu estava sentada na beirada da cama tentando colocar uma meia sem acender todas as luzes do quarto. Rafael já estava acordado, embora continuasse deitado numa tentativa inútil de fingir que aquele horário não o incomodava. Quando deixei o carregador cair no chão pela segunda vez, ele desistiu.— Acende a luz.— Você está dormindo.— Não estou.— Estava.— Há uma mulher derrubando objetos ao meu lado desde três e meia.— Eu comecei a me arrumar às quatro.— Às três e quarenta e sete.Olhei para ele.— Como sabe?— Você desligou o despertador e ficou quinze minutos pensando que conseguiria levantar sem realmente levantar.— Isso não é normal.— Moramos juntos.L
Aceitar a proposta levou menos de um minuto. Descobrir o que exatamente eu tinha aceitado ocupou os três dias seguintes. A Fundação Horizonte enviou contrato, cronograma preliminar, política de viagens, acesso a uma plataforma que eu nunca havia usado e uma sequência de reuniões de integração que começou antes mesmo de o jurídico concluir a versão definitiva dos documentos. Na Fundação Montenegro, Teresa redesenhou minha agenda com a eficiência de quem aparentemente esperava por aquele momento havia semanas. Duas reuniões operacionais desapareceram do meu calendário, Patrícia assumiu oficialmente decisões que antes ainda passavam por mim e André recebeu parte do acompanhamento das famílias que eu mantinha mais por apego do que por necessidade. Quando olhei para a nova distribuição na manhã de sexta-feira, minha primeira reação foi procurar alguma maneira de recuperar pelo menos uma das atividades.— Não — disse Teresa antes que eu falasse.— Você nem sabe o que vou pedir.— Sei.— Que
Na terça-feira, às nove e cinquenta e quatro, eu já havia conferido a câmera três vezes, fechado a porta da sala que Teresa me emprestara e aberto o documento enviado pela Fundação Horizonte em duas telas diferentes, como se algum detalhe pudesse surgir apenas porque eu estava nervosa. A reunião começaria às dez. Beatriz participaria com a diretora executiva da instituição e uma pessoa do setor jurídico que eu ainda não conhecia. Teresa estaria comigo apenas durante a primeira parte, porque a proposta envolvia também a Fundação Montenegro, mas deixara claro desde o dia anterior que a negociação das minhas condições individuais deveria ser feita por mim. Quando perguntei se ela não poderia permanecer “só para garantir que eu não fizesse besteira”, respondeu que justamente por isso sairia.— Você está com medo de quê? — perguntou, entrando na sala com uma xícara de café.— De aceitar pouco, pedir demais, parecer inexperiente ou parecer convencida.— Excelente. Já identificou quase todas





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