O volante do BMW sedã cheirava a limpador de couro caro e ao suor ácido das mãos de Rafael Tavares. Ele não conseguia parar de apertá-lo, os dedos brancos de tensão, enquanto dirigia em velocidades irregulares pelas ruas ainda adormecidas da cidade. O ar-condicionado soprava frio, mas uma onda de calor vergonhoso e raivoso subia de seu peito até seu rosto, deixando suas orelhas ardentes.
Aquele desgraçado. Aquele animal.
A imagem do homem — Matheus, ele ouvira Carla murmurar — invadia seus pens