Capítulo 185

O ar no cemitério estava pesado, saturado de uma umidade gelada que penetrava até os ossos. A chuva fina caía em cortinas prateadas, ensopando as flores murchas no túmulo de Nicolau e escorrendo pelas golas levantadas dos poucos presentes. Um silêncio tenso pairava, mais ameaçador que qualquer discurso irado.

Até que Ian não aguentou mais.

— O que diabos você está insinuando, Alexander? — sua voz ecoou, um trovão rouco abrindo o céu cinzento. Cada palavra era um estilhaço de raiva. — Fale! Que jogo podre você está tramando agora, no túmulo do nosso avô?

Alexander não se abalou. Permaneceu impávido, aquele sorriso cínico e torto estampado no rosto como uma cicatriz.

—Jogo? Irmão, isso está longe de ser um jogo. É um acerto de contas. A história real que o velho preferiu enterrar.

— Você perdeu a cabeça! — Ian avançou um passo, os punhos cerrados, os músculos tensionados como molas. — Se você veio aqui para profanar a memória dele com suas fantasias doentias, eu juro que…

— …que vai faz
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