O ar no cemitério estava pesado, saturado de uma umidade gelada que penetrava até os ossos. A chuva fina caía em cortinas prateadas, ensopando as flores murchas no túmulo de Nicolau e escorrendo pelas golas levantadas dos poucos presentes. Um silêncio tenso pairava, mais ameaçador que qualquer discurso irado.
Até que Ian não aguentou mais.
— O que diabos você está insinuando, Alexander? — sua voz ecoou, um trovão rouco abrindo o céu cinzento. Cada palavra era um estilhaço de raiva. — Fale! Que