O ar no cemitério estava pesado, saturado de uma umidade gelada que penetrava até os ossos. A chuva fina caía em cortinas prateadas, ensopando as flores murchas no túmulo de Nicolau e escorrendo pelas golas levantadas dos poucos presentes. Um silêncio tenso pairava, mais ameaçador que qualquer discurso irado.
Até que Ian não aguentou mais.
— O que diabos você está insinuando, Alexander? — sua voz ecoou, um trovão rouco abrindo o céu cinzento. Cada palavra era um estilhaço de raiva. — Fale! Que jogo podre você está tramando agora, no túmulo do nosso avô?
Alexander não se abalou. Permaneceu impávido, aquele sorriso cínico e torto estampado no rosto como uma cicatriz.
—Jogo? Irmão, isso está longe de ser um jogo. É um acerto de contas. A história real que o velho preferiu enterrar.
— Você perdeu a cabeça! — Ian avançou um passo, os punhos cerrados, os músculos tensionados como molas. — Se você veio aqui para profanar a memória dele com suas fantasias doentias, eu juro que…
— …que vai faz