Saulo Prado
Ela me olhava como se eu tivesse dito um absurdo. Como se projetar um futuro, ainda que tímido, fosse uma ofensa.
Mas não era. Era só verdade.
Angelina sempre reagia assim quando o assunto saía do corpo e tocava o coração. Travava. Se recolhia. Procurava uma saída que a mantivesse segura. Mas eu já a conhecia o bastante pra saber que, por trás do olhar surpreso, tinha outra coisa fervendo ali dentro.
Medo.
Medo de acreditar.
- Tá com essa cara por quê? - perguntei, mantendo a cabeç