Saulo Prado
Eu não poderia negar: ela havia se tornado uma advogada incrível, pela a minha mão apoiada ao meu próprio queixo, assistindo a sua defesa, muito já se dizia. Eu me senti abobalhado, pela sua evolução. Ao encerrar a sessão, mal saí da sala, procurei tudo o que pude sobre a doutora Angelina Ribeiro. Seu currículo, sua formação, cada detalhe do que a tornara o que era agora. Descobri que se formou com ressalvas, tropeços, quedas... mas ali estava, firme, crescendo, brilhando. Uma mulher com cinquenta e dois anos, e uma carreira em ascensão.
O caso em si não era complicado. O difícil, na verdade, era manter a atenção em qualquer outra coisa que não fosse ela. Enquanto o outro advogado discursava, enquanto os autos eram lidos, enquanto as testemunhas falavam, eu só conseguia manter meus olhos nela. Aquele olhar seguro, aquele traço de quem conhecia cada passo da audiência.
E me culpei.
Me culpei por não ter feito parte de tudo isso.
Quando foi que ela se tornou assim? Tão segu