Saulo Prado
Angelina havia me entregue tudo. Meu primeiro instinto foi enviar as informações para a procuradoria, mas isso seria traí-la.
Guardei os documentos diante dos seus olhos. Ela conhecia cada podre, sabia como garantir bloqueios de bens, como alavancar uma investigação no momento certo. Eu me sentia vingado, mas não conseguia dormir. Não queria ficar longe dela. Ainda assim, ela tinha razão, tudo era arriscado.
Na manhã seguinte, liguei várias vezes, mas ela não atendeu. Ao invés de ir para o escritório, me vi parado na porta da sua casa, tocando a campainha sem parar.
- JÁ VAI, MEU DEUS! - Ana Júlia abriu, de top e calcinha vermelha. Precisei abaixar a cabeça imediatamente.
- Nossa, Saulo, não precisa ficar todo sem jeito, tá? - disse tentando se cobrir. - Sua bela adormecida ainda está dormindo.
Deu-me as costas, e a calcinha era quase idêntica à da mãe. O corpo também. Entrei no quarto e lá estava Angelina, deitada, cabelos espalhados no travesseiro, agarrada a ele como s