Angelina Da Costa
- Saulo, bebendo de novo? - reclamei, ao perceber sua voz embargada.
- Um pouco não vai matar ninguém. - ele respondeu, largado na espreguiçadeira, em pleno domingo à tarde.
Meu peito pesava. Já estávamos na terceira semana após a minha saída repentina de Sobral, e nada acontecia. Esse silêncio me deixava ainda mais nervosa. Talvez Otávio estivesse mesmo acuado, sem o apoio de seus aliados. Mas ainda havia o senador, ativo como sempre, e o desembargador... esse, eu tentei investigar por todos os meios na internet, mas foi em vão, sem noticias recentes.
De qualquer forma, nesse vazio sufocante, corria nos bastidores a chamada Operação Sombras da Serra, mais uma envolvendo o nome do doutor Otávio Prado.
Troquei de celular por causa das ligações insistentes de números desconhecidos. Eu não temia a Justiça. Temia o poder de Otávio Prado. O jeito silencioso como ele movia montanhas.
- E o sono, persiste? - Saulo indagou, a voz arrastada pela bebida. Ele vinha bebendo tod