Saulo Prado
Angelina estava estranha.
Eu ligava, ela não atendia; quando atendia, não me dava total atenção, inventava desculpas, estava com a irmã, tinha saído, estava estudando. Até que, em parte, era verdade: ela avançava nos casos. Em duas semanas, enviou oito relatórios, só faltavam três para fechar tudo.
Mas isso me matava. Eu odiava o afastamento dela, notava a tristeza nos seus olhos e já não sabia se era pela distância ou se havia alguém entre nós. Ela é bonita, gostosa, inteligente; qualquer homem perceberia. Era pura sorte minha que seu ex não tivesse dado valor.
Estava dormindo quando o telefone tocou no quarto.
Mirei a tela, não a minha ruiva, larguei o aparelho de lado. Mas ele continuou tocando. Queria dormir, precisava descansar, a semana estava cheia, precisava lidar com os casos de Frantesca. Minha namorada havia se tornado uma máquina de produtividade, mas o nome Ana Júlia não saía da tela, mesmo no silencioso, o aparelho vibrava.
- Eu me pergunto que diabos... -