Angelina Da Costa
O silêncio reinava no carro, denso como uma nuvem carregada. A metade do dia sequer tinha passado, mas tudo em mim já pesava. Saulo dirigia com uma mão no volante; a outra repousava solta entre nós, perto demais do meu joelho.
E eu esperava.
Esperava o toque que viria. Sempre vinha.
Ele sabia o efeito que tinha em mim. E mesmo que eu tentasse negar, já não era só desejo, era vício. Um vício perigoso.
Toquei meu joelho no dele, fingindo olhar a rua pela janela. Ouvi sua respira