Não pode ser.
Angelina Da Costa
O despertador insistente parecia um martírio. O dia já nascia atribulado, e por mais que minha mente soubesse das responsabilidades, meu corpo suplicava por mais um minuto, mais uma hora... mais um século na cama. A noite havia passado em um piscar de olhos.
A exaustão era um peso denso sobre os meus ossos.
Sentada na cama, observei Ana Júlia revirando as gavetas com a energia inquieta dos seus dezenove anos. Cada ruído, cada arrastar de móvel, era uma agulha afiada nos meus