Delirio

Saulo Prado

A semana tinha sido exaustiva. O trabalho me consumia como nunca. O escritório funcionava no mesmo ritmo, mas a prioridade era uma só: Otávio Prado. Com a mídia em cima, pressionando, cada passo meu tinha que ser calculado. Já era noite quando cheguei ao Hotel Florence. Não gostei do lugar desde o primeiro segundo que pus o pés nele.

O cheiro de carpete gasto, a iluminação amarelada do saguão, tudo me incomodava. Mas era a localização que Ribeiro havia enviado. Entrei desconfiado, varrendo o ambiente com os olhos em busca dela, eu ansiava por nosso encontro, uma conversa. Nada. Uma mulher baixa, morena, de uniforme ajustado se aproximou. - Doutor Saulo Prado? Assenti, sem disfarçar a desconfiança.

- Lhe aguardam no quarto 82. Deseja algo para acompanhar? - disse, com uma naturalidade incômoda, quase sugestiva. Franzi o cenho, tentando entender o que diabos ela insinuava. Eu buscava uma reconciliação.

- Não se preocupe, doutor. Sigilo é nossa prioridade. Recebemos casais
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