Angelina Da Costa
- Finalmente, hein! Finalmente vamos para casa! - Antonia exclamava, quase sem acreditar em suas palavras.
Seis dias haviam se passado entre injeções contra trombose, vitaminas e suplementações. Antonia organizava a sacola com calma, enquanto eu saía do banheiro com passos abertos, sentindo o peso dos bebês pressionando a minha bexiga. Ri ao olhar para ela.
- É... finalmente casa! - repeti, mas dentro de mim sabia, não era exatamente a minha casa.
Minha mente girou em busca de um lugar que pudesse chamar de lar. Minha antiga casa? Não... não me sentia mais pertencente àquele espaço. O apartamento? Rolei os olhos e neguei em silêncio. Talvez aquele nunca tivesse sido meu.
Sentei devagar na cama, guardando meus itens na pequena nécessaire. Foi então que o rosto de Saulo surgiu na minha mente como um flash, me paralisando. Seus olhos nos meus, a maneira como apoiava a testa contra a minha... A lembrança da banheira me invadiu inteira.
Eu podia ouvir nossa respiração se