Saulo Prado
Ao lado de Angelina, eu me sentia um intruso na vida dela.
Um homem atravessando as frestas de uma mulher feita, vivida, marcada. Enquanto minha vida ainda estava em construção, a dela já carregava alicerces alguns intactos, outros desmoronando.
Ela não dizia nada.
Apenas sentava ao meu lado no carro com as pernas cruzadas e o olhar fixo no vidro. Seus dedos entrelaçados no colo, tensos demais para quem dizia estar "tudo bem".
Aquele silêncio me incomodava. Não por ser vazio, mas