Saulo Prado
Angelina não estava bem.
Chegamos à chácara e ela ainda chorava em silêncio. Calada. Recolhida. Com o celular apertado contra o peito, como se aquele objeto pudesse protegê-la de qualquer outra agressão. Em um mundo minimamente são, o certo seria levá-la a um médico, a um posto policial. Mas naquele momento, tudo que eu sabia era cuidar. Cuidar como eu nunca cuidei de ninguém.
Desci do carro. Ela ainda aos prantos.
Abri a porta e a tirei nos braços, seu corpo trêmulo agarrado ao tel