Mariana sempre se orgulhara da sua intuição. Era o tipo de mulher que percebia pequenas variações no tom de voz, na escolha das palavras, nos gestos quase imperceptíveis. Talvez por isso fosse tão querida pelos amigos: parecia sempre adivinhar quando alguém precisava de atenção, de cuidado, de um gesto de carinho.
Com Adriano, não era diferente. Vinte anos de relacionamento — mesmo com a separação recente e a reaproximação que os envolvia agora — haviam ensinado a ela a ler seu marido como que