Narrado por Zeus Marino
O silêncio dela dizia mais do que qualquer desculpa.
O berço improvisado continuava ali, enchendo o quarto pequeno de uma presença que engolia tudo. A claridade da manhã atravessava as frestas da cortina e riscava o rosto de Léa como se a punisse. Ela me olhava como quem encara o reflexo rachado do próprio erro. Eu não desviei os olhos.
— Até quando você achou que ia esconder de mim? — perguntei, a voz baixa, dura, cada palavra como lâmina sobre mesa.
Ela respirou fundo,