Mundo de ficçãoIniciar sessãoela tinha tudo, beleza, talento e o respeito dos homens mais poderosos da cidade. Até ser traída por quem mais amava. Acusada de crimes que não cometeu, humilhada diante de todos e deixada para morrer pelo próprio marido, ela perdeu tudo: o nome, a reputação… e o filho que acreditava ter sido enterrado junto com seu passado. Mas o destino não terminou com ela. Um homem misterioso aparece e lhe oferece um contrato cercado de segredos. Sem saber quem ele realmente é, Maelyn aceita. E renasce como outra mulher: fria, linda, impiedosa. Agora, ela é a esposa de um magnata invisível… e a mulher que todos pensavam estar morta.
Ler maisEu não posso morrer!
Deitada no chão frio da cela, ofegante, cravei as unhas nas palmas das mãos numa tentativa inútil de me manter consciente. Meu corpo, pesado como chumbo, me prendia ao chão.
Mais de cem quilos de fraqueza e doença. Mas a minha mente… finalmente começava a emergir da névoa de dois anos em coma. Era a única coisa que me restava. E eu precisava usá-la.
Fui incriminada pelo meu próprio marido, Azael. Ele entrou na minha vida como um salvador. Casamos por uma promessa, uma dívida que eu acreditei que nunca poderia pagar.
E tentei. Dei a ele tudo. Empregos. Contatos. O acesso à minha empresa, a Tafyllo Capital.
Até que, pouco a pouco, ele tomou tudo de mim. E eu deixei, enquanto misteriosamente ficava doente. Porque confiava nele. Porque achava que devia minha vida a ele. Um erro estúpido.
Agora, estou aqui. Acusada de desviar um bilhão. Condenada pela mídia. Pelos sócios. Por todos. Meu rosto — ou o que restou dele depois do coma, estampado como o da maior golpista da década.
A morte que ele preparou para mim não veio com sentença oficial. Veio pior. Lenta, solitária, doente. Dentro de uma cela, sem conseguir ao menos ficar em pé com esse excesso de peso quase me esmagando.
Mas eu não queria morrer, e se meu plano dê certo, posso ter uma chance de sobreviver.
— Maelyn Tafyllo, tem visita.
A voz do guarda cortou o silêncio. Soltei o ar, trêmula. Um alívio tão intenso que doeu.
Ele veio. O meu plano funcionou.
Um sorriso fraco surgiu nos meus lábios, e morreu no instante em que olhei para a grade.
Não era ele, eu estava esperando o senhor Jones aparecer, mas quem era esse homem? O meu tutor tem pelo menos mais de sessenta anos, e esse homem… ele poderia ter até menos de trinta, será que ele enviou alguns de seus contatos? Já faz tantos anos que não nos vimos, mas sei que ele não me abandonaria, ele me ensinou tudo que sei e me tratou como se eu fosse sua filha.
Do outro lado, um homem permanecia imóvel. Intocável. Como se a sujeira, o cheiro e a miséria não pudessem alcançá-lo.
Terno escuro impecável, postura rígida, um chapéu ocultando os olhos. Os lábios, finos, não demonstravam nada. Só… análise.
E, obviamente, posso imaginar que está sentindo até mesmo nojo. Atrás dele, dois seguranças. E um homem com uma pasta. O carcereiro abriu a cela com mãos trêmulas, como se estivesse diante de um rei.
Meu corpo entrou em alerta.
Quem é ele? Onde está meu tutor?
Ele não entrou. Permaneceu a uma distância segura, como se eu fosse algo contaminado. E talvez fosse.
Meu cabelo grudava no rosto. Minha roupa estava imunda. Meu corpo… irreconhecível. Eu tentei me levantar antes. Não consegui, os braços estavam fracos, minhas pernas pareciam de chumbo.
E ele assistia tudo. Naquele momento, até eu me sentia desprezível por ter chegado a esse ponto.
Vi nos lábios dele o julgamento silêncios, isso é o que sobrou? Um frio percorreu minha espinha.
— Maelyn Tafyllo. — A voz dele era baixa, mas dominou a cela inteira.
Engoli seco.
— Quem… quem é você?O assistente bufou.
— Quem não conhece o presidente das empresas Brackthone?Brackthone? O nome ecoou na minha mente. Era familiar. Um império. Mas o presidente… não fazia parte do meu plano. Algo estava errado. Será que Azael fez algo que fez um homem como ele vir atrás de mim? O que ele queria? Terminar o que Azael começou?
Ele fez um gesto discreto. O homem da pasta se aproximou, colocou um documento no banco e recuou.
— Pode ler — disse ele. — Se conseguir.
A provocação queimou. Mas ignorei. Apoiei o cotovelo no chão e forcei meu corpo a subir. Cada movimento doía, mas eu consegui sentar. Ofegante. Suada. Humilhada. Mas sentada. Peguei o documento. Minhas mãos tremiam, mas meus olhos correram pelas linhas. Contrato. Cláusulas. Condições. Correntes. Meu coração falhou por um segundo quando li o nome no final: Magnus Blackthone.
Levantei os olhos.
— Isso é sério? — minha voz saiu baixa, mas firme. — Quer me jogar em outro inferno?Ele não hesitou.
— Promessas não podem ser quebradas e você deve cumprir a sua agora, mesmo sendo um pedaço de trapo.Franzi o cenho.
— Eu nunca nem vi você.— Vai ter tempo para lembrar. Assine.
Não fazia sentido. Até que vi. No rodapé. Uma cláusula alterada. O nomeda testemulha… Alistair Blackthone. O mundo parou. Alistair. Meu tutor se chamava Alistair mas sobrenome Jones. Não podia ser coincidência. Ou podia? Levantei os olhos lentamente.
— Alguém te mandou?
— Eu não preciso de ordens, eu apenas vir, você esta em todos os jornais. — respondeu ele. — Preciso de você viva.
Soltei uma risada seca.
— Olhe pra mim. Eu estou morrendo.Silêncio. Pesado. Voltei ao contrato. Alistair não veio. Mas o nome dele estava ali. Como testemunha. Isso mudava tudo.
— E se eu recusar?
— Você morre. — Simples assim. — Hoje. Amanhã… não importa. Seu marido garantiu isso. Seu coração não aguenta mais, eu sei que ele não quer que você passe de hoje e se depender das pessoas aqui, você não passa.
O ódio ferveu. Mas a lógica falou mais alto, eu estava no pico, eu ia morrer. Eu não tinha escolha. Olhei para o contrato uma última vez.
— O que você quer de mim?
— você vai saber logo, já que agora você me pertence. — Ele inclinou levemente a cabeça. — Mas primeiro, quero que viva.
Viver. A palavra acendeu algo dentro de mim.
Assinei. O meu nome saiu torto. Manchado por uma lágrima que nem senti cair. A caneta escorregou dos meus dedos. Então veio a dor. Brutal. Apertando o meu peito até o ar desaparecer. O mundo girou. A minha visão escureceu.
A última coisa que vi foi ele. Imóvel. Observando.
— Pode deixar eles entrarem agora. — ordenou. — Ela não pode morrer, não agora que tem o meu sobrenome.
— O quê? — Ela perguntou antes de ela ficou preto, mas não conseguiu ouvir a frase do homem.
— Disse, você não pode morrer, minha esposa.
Cap. 26— A cirurgia foi um sucesso técnico, Senhor Blackthone. Removemos o tecido adiposo, estabilizamos as válvulas cardíacas e a reconstrução facial seguiu exatamente o molde que o senhor forneceu. O coração dela suportou o impensável. Mas... — O médico fez uma pausa, pesando as palavras. — Agora, a medicina deu o seu máximo. O resto depende exclusivamente da vontade dela. Maelyn está em um estado de suspensão. Ela precisa decidir se quer voltar.Magnus não disse uma palavra. Apenas inclinou a cabeça, indicando que queria entrar.Ao cruzar a porta da suíte hospitalar privada, o silêncio foi substituído pelo bipe monótono e constante dos monitores.Magnus parou a dois metros da cama. O que ele viu não era a mulher que ele conhecera, nem a mulher da foto.Maelyn estava completamente envolta em bandagens brancas, da cabeça aos pés.O rosto, o pescoço, o tórax, os membros... cada centímetro de sua pele estava protegido por gazes e esparadrapos cirúrgicos.Ela parecia uma criatura frági
Cap. 25: A DECISÃOO corredor do hospital parecia ter se tornado o purgatório particular de Magnus Blackthone, e o silêncio que se seguia à declaração do médico era tão pesado.— O que quer dizer com "não há muito o que fazer"? — a voz de Magnus saiu baixa, como o rosnar de um animal encurralado.O Dr. Aris, um dos cardiologistas mais renomados do país, suspirou, folheando o prontuário digital com um semblante de derrota.— Senhor Blackthone, precisamos ser realistas. O estado físico dela é crítico. O excesso de peso e a gordura visceral estão comprometendo severamente os órgãos vitais. O coração, já fragilizado pelo estresse emocional e pelos anos de negligência, simplesmente não aguenta mais a carga. Ela entrou em um coma profundo. O corpo dela desligou para tentar sobreviver, mas a verdade é que... ela pode não acordar. E se acordar, o risco de um novo evento fatal em poucos dias é de quase cem por cento.Magnus sentiu os punhos fecharem dentro dos bolsos. Ele olhou através do vidr
Cap.24O salão, que antes brilhava sob o ouro e o cristal, agora parecia uma pintura abstrata e grotesca, manchada pelo vermelho viscoso que se espalhava pelo mármore. O som ao redor de Maelyn tornou-se uma massa amorfa de ruídos. Os gritos de Azael, mas socorrendo sua melhor amiga, os soluços dramáticos de Melina e o murmúrio chocado dos convidados chegavam aos seus ouvidos como se ela estivesse submersa em águas profundas e geladas.A pressão no peito de Maelyn parecia uma mão invisível esmagando seus pulmões, seu coração, sua própria alma. Cada batida era um esforço hercúleo, uma agonia que irradiava para o braço esquerdo, fazendo seus dedos formigarem. Ela estava no chão, humilhada, cercada por olhares de julgamento que a condenavam por um crime que ela não cometera, por uma tragédia que ela não causara.Eu fui um estorvo? Pensou ela, as lágrimas quentes finalmente transbordando e limpando caminhos na poeira e no sangue em seu rosto.Eu não era o problema, sempre ajudei a todos.
Cap.23A exaustão de Maelyn era visível. Seus ombros caíam, a respiração vinha em lances curtos e o suor frio grudava os fios de cabelo ao rosto pálido.Ao redor, o murmúrio dos convidados mudava de tom; o veneno de Azael já não parecia tão eficaz diante da dor crua que ela emanava.Melina, percebendo a maré virar, estreitou os olhos. Ela precisava retomar o controle do palco. Com um suspiro teatral, ela deu um passo à frente, a voz carregada de uma falsa benevolência que sibilava, mesmo com dor.— Maelyn, por favor, olhe para você... aceite que você errou — Melina começou, as mãos postas como se estivesse em oração. — Você roubou a empresa, você traiu a confiança de todos e agora o Azael só quer ser feliz. Por que está fazendo isso com a gente? Por que tanto ódio?Maelyn tentou falar, mas sua garganta parecia cheia de vidro moído. Antes que pudesse recuar, sentiu os dedos de Melina cravarem-se em seu antebraço com uma força inesperada. e se inclinou, sussurrando apenas para ela.— A










Último capítulo