Não pensar nele estava sendo uma missão impossível. Era como se o próprio universo tivesse conspirado para colar a imagem de André em cada detalhe da minha vida. Tentei estudar, mergulhar nos livros, me esconder atrás de fórmulas e anotações, mas até as letras no caderno pareciam se reorganizar para formar o nome dele. A cada página virada, a caligrafia dos meus resumos gritava como um eco do que eu estava tentando fugir: André. O som, o rosto, os olhos.
Fechei o caderno com força, como se aquele gesto fosse capaz de apagar também a lembrança, mas não adiantou. Liguei a televisão, procurando um filme qualquer, uma distração que me tirasse daquele labirinto mental. Mas logo o ator principal sorriu de uma maneira tão parecida com ele que meu peito se apertou. O jeito de arquear uma sobrancelha, o olhar seguro, a calma no tom de voz… parecia que até a ficção estava conspirando contra mim.
Era sufocante. Cada pequena coisa no mundo tinha se transformado em um gatilho para me lembrar de